{"id":26468,"date":"2024-02-14T09:04:32","date_gmt":"2024-02-14T09:04:32","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=26468"},"modified":"2024-02-14T09:06:24","modified_gmt":"2024-02-14T09:06:24","slug":"quero-ser-util-ao-meu-povo-licoes-de-vida-na-africa-missionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco-no-mundo\/quero-ser-util-ao-meu-povo-licoes-de-vida-na-africa-missionaria\/","title":{"rendered":"\u201cQuero ser \u00fatil ao meu povo\u201d. Li\u00e7\u00f5es de vida na \u00c1frica mission\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 1995, h\u00e1 28 anos, deixei minha amada Argentina rumo \u00e0 \u00c1frica mission\u00e1ria com o mesmo ideal de Zeferino Namuncur\u00e1: tornar-me salesiano e sacerdote \u201c\u00fatil ao meu povo\u201d na minha amada \u00c1frica.<br>E aqui estou eu, sentado sob uma nobre \u00e1rvore africana de 100 anos, com uma temperatura de 36 graus e 70% de umidade, refletindo sobre minha vida mission\u00e1ria. Daqui, contemplo a bela floresta tropical pintada em mil tons de verde infinito, transbordando de vida, cheia de mist\u00e9rios e mil perguntas \u00e0 espera de resposta. Um verdadeiro mural multicolorido como minha vida mission\u00e1ria: desenhada em mil cores, pintada em diferentes tons e matizes, aben\u00e7oada por desafios e recompensas, por projetos e sonhos, por pinceladas de luz para sombrear os tons mais escuros e dif\u00edceis da miss\u00e3o.<br><br><strong>Os primeiros passos<br><\/strong>Meus primeiros passos na \u00c1frica foram de descoberta e rever\u00eancia. Eu disse a mim mesmo: \u201cA \u00c1frica \u00e9 rica!\u201d e, como um adolescente, me apaixonei por ela \u00e0 primeira vista&#8230; Eu me apaixonei pela diversidade de suas paisagens e geografia exuberante, sua fauna e flora, seus mares e selvas, suas imensas savanas e desertos. Ela \u00e9 rica em recursos naturais: ouro, diamantes, petr\u00f3leo, ur\u00e2nio, madeira, agricultura e pesca. Percebi imediatamente que a \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 pobre, mas \u00e9 muito mal administrada. Eu me apaixonei por suas culturas, idiomas, cores, aromas e sabores. Fui cativado por seus ritmos, sua m\u00fasica, a vibra\u00e7\u00e3o de seus t\u00edmpanos, o som de seus instrumentos musicais, suas can\u00e7\u00f5es e dan\u00e7as cheias de vida. E, acima de tudo, me apaixonei por seu povo e seus jovens, porque essa \u00e9 certamente sua maior riqueza: suas crian\u00e7as, seus jovens que representam o presente e o futuro do continente da esperan\u00e7a.<br><br><strong>Tenta\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria<br><\/strong>Quando se \u00e9 jovem, inexperiente, e se chega \u00e0 terra da miss\u00e3o com mil expectativas e um cora\u00e7\u00e3o cheio de sonhos, a primeira tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 pensar que se vem para \u201csalvar\u201d, que se \u00e9 um \u201cenviado\u201d, chamado para \u201cmudar o mundo\u201d, \u201ctransformar\u201d, \u201censinar\u201d, \u201cevangelizar\u201d, \u201ccurar\u201d. \u00c9 l\u00e1 que sua terra prometida lhe ensina o valor da humildade. E seu povo lhe ensina que, para ser um mission\u00e1rio, voc\u00ea deve se tornar t\u00e3o pequeno quanto uma crian\u00e7a, deve nascer de novo: deve aprender a falar novos idiomas, a entender novos e diferentes costumes, a mudar estilos de vida, maneiras de pensar e sentir. Na miss\u00e3o, voc\u00ea aprende a ficar calado, a receber corre\u00e7\u00f5es, a aceitar humilha\u00e7\u00f5es e a sofrer choques culturais. O verdadeiro mission\u00e1rio desaprende para aprender de novo, at\u00e9 chegar \u00e0 mais bela descoberta: \u00e9 o seu povo que \u201ceduca\u201d voc\u00ea, \u201cevangeliza\u201d voc\u00ea, \u201ctransforma\u201d voc\u00ea, \u201ccura\u201d voc\u00ea. Eles se tornam seu \u201cKair\u00f3s\u201d, seu \u201ctempo de Deus\u201d, s\u00e3o o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d onde Deus se manifesta a voc\u00ea e, finalmente, o \u201csalva\u201d.<br><br><strong>Li\u00e7\u00f5es africanas<br><\/strong>Desde o hemisf\u00e9rio sul, a \u00c1frica tem muito a ensinar ao Ocidente e ao Norte, crist\u00e3os e \u201cdesenvolvidos\u201d. Aqui est\u00e3o algumas li\u00e7\u00f5es que aprendi na \u00c1frica.<br><br><strong>A primeira li\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cUbuntu\u201d: \u201cEu sou, porque n\u00f3s somos\u201d<\/strong><br>Os africanos adoram a fam\u00edlia, a comunidade, o trabalho e as comemora\u00e7\u00f5es em conjunto. S\u00e3o profundamente generosos e atenciosos, sempre prontos a dar uma m\u00e3o a quem precisa. Eles sabem que o individualista morre no isolamento. A sabedoria africana confirma isso: \u201cSe voc\u00ea andar sozinho, vai mais r\u00e1pido, mas se andar em grupo, vai mais longe\u201d. \u201cS\u00e3o necess\u00e1rias tr\u00eas pedras para manter a panela no fogo\u201d. \u201cA \u00e1rvore que est\u00e1 sozinha murcha; a \u00e1rvore que est\u00e1 na floresta vive\u201d. \u201c\u00c9 preciso uma aldeia inteira para criar uma crian\u00e7a\u201d. E na mesma linha: \u201c\u00c9 preciso uma aldeia inteira para matar um c\u00e3o raivoso\u201d. Se dois elefantes brigam, \u00e9 a grama que perde\u201d. A vida fraterna e a comunidade mant\u00eam a fam\u00edlia, o cl\u00e3 e a tribo vivos.<br><br><strong>A segunda \u00e9 o respeito pela vida e pelos mais velhos<br><\/strong>Um filho ou uma filha \u00e9 sempre uma b\u00ean\u00e7\u00e3o do c\u00e9u, uma alegria para toda a fam\u00edlia e m\u00e3os para trabalhar a terra e fazer a colheita. A vida \u00e9 um presente de Deus. \u00c9 por isso que se diz que \u201conde h\u00e1 vida, h\u00e1 esperan\u00e7a\u201d e que \u201cproteger a semente protege a colheita\u201d. E como a expectativa de vida \u00e9 baixa, os idosos s\u00e3o valorizados, amados e \u201ccuidados\u201d. Aqui n\u00e3o h\u00e1 asilos ou casas de repouso para idosos. Os av\u00f3s s\u00e3o o patrim\u00f4nio da aldeia. As crian\u00e7as se sentam ao redor dos mais velhos para ouvir as hist\u00f3rias e a sabedoria dos ancestrais. \u00c9 por isso que dizemos aqui que \u201cquando um anci\u00e3o morre, \u00e9 como queimar uma biblioteca\u201d e \u201cse voc\u00ea esquecer seus anci\u00e3os, esquecer\u00e1 sua sombra\u201d.<br><br><strong>A terceira \u00e9 sobre sofrimento e a resili\u00eancia<br><\/strong>A sabedoria africana diz que \u201ca dor \u00e9 um hospedeiro silencioso\u201d e afirma que \u201cpor meio do sofrimento se adquire sabedoria\u201d. \u00c9 por isso que se diz que \u201ca paci\u00eancia \u00e9 o rem\u00e9dio para toda dor\u201d. Eles transformam obst\u00e1culos em oportunidades. N\u00e3o t\u00eam medo de sacrif\u00edcios ou da morte. Para eles, perder uma colheita, um bem material, um ente querido, \u00e9 uma oportunidade de come\u00e7ar de novo, de criar algo novo. Eles sabem que nada \u00e9 alcan\u00e7ado sem esfor\u00e7o e sacrif\u00edcio; que a \u00fanica maneira de ter sucesso \u00e9 entrar pela porta estreita e aben\u00e7oam a Deus que d\u00e1 e tira ao mesmo tempo.<br><br><strong>Uma quarta li\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 espiritualidade e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o<br><\/strong>Os africanos s\u00e3o \u201cespirituais\u201d por natureza. Eles est\u00e3o dispostos a dar a vida por aquilo em que acreditam. Deus \u00e9 onipresente em suas vidas, em sua hist\u00f3ria, em seus discursos e em suas celebra\u00e7\u00f5es. Toda atividade come\u00e7a com uma ora\u00e7\u00e3o e termina com uma ora\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que seus prov\u00e9rbios dizem: \u201cQuando voc\u00ea orar, mova seus p\u00e9s\u201d, \u201cn\u00e3o olhe para Deus somente quando estiver com problemas\u201d e \u201conde h\u00e1 ora\u00e7\u00e3o, h\u00e1 esperan\u00e7a\u201d. Se a pessoa n\u00e3o orar, a vida se torna ins\u00edpida e est\u00e9ril. Eles oram como se \u201ctudo dependesse de Deus, sabendo que, no final, tudo depende deles\u201d, como diria um grande santo africano.<br><br><strong>Em minha vida mission\u00e1ria, eu sou a miss\u00e3o<br><\/strong>Em tr\u00eas d\u00e9cadas, constru\u00edmos escolas e centros de treinamento profissional, constru\u00edmos igrejas e santu\u00e1rios, capelas e centros comunit\u00e1rios, fizemos interven\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia durante as guerras civis em Serra Leoa e na Lib\u00e9ria, abrimos lares para crian\u00e7as-soldados, ajudamos \u00f3rf\u00e3os do Ebola, cuidamos de crian\u00e7as de rua ou de meninas na prostitui\u00e7\u00e3o. Mas essas atividades n\u00e3o s\u00e3o identificadas com a miss\u00e3o. Os frutos da atividade mission\u00e1ria s\u00e3o medidos em termos de transforma\u00e7\u00e3o de vida. E, nesse sentido, confesso que j\u00e1 vi milagres: vi crian\u00e7as-soldados reconstru\u00edrem suas vidas, vi crian\u00e7as de rua se tornarem advogadas na universidade, vi-as sorrir novamente e voltarem para a escola, vi meninas na prostitui\u00e7\u00e3o voltarem para suas fam\u00edlias, aprenderem um of\u00edcio e recome\u00e7arem.<br><br>Como diz o Papa Francisco, \u201cn\u00f3s n\u00e3o temos uma miss\u00e3o ou fazemos uma miss\u00e3o\u201d. N\u00f3s somos a miss\u00e3o. Eu sou a miss\u00e3o. Minha miss\u00e3o \u00e9 ser o \u201csacramento do amor de Deus\u201d para os mais vulner\u00e1veis. Isto \u00e9, que eles, por meio de minhas m\u00e3os, meus olhos, meus ouvidos, minhas pernas, meu cora\u00e7\u00e3o, possam experimentar que Deus os ama loucamente, que lhes d\u00e1 vida, por meio de minha vida dada a eles. Isso \u00e9 o que significa para mim ser um mission\u00e1rio salesiano. \u00c9 por isso que sou miss\u00e3o quando me ajoelho diante da Eucaristia pedindo a salva\u00e7\u00e3o deles; sou miss\u00e3o quando estou no p\u00e1tio ou em casa acompanhando as crian\u00e7as, sou miss\u00e3o quando viajo para as \u00e1reas mais distantes e perigosas, sou miss\u00e3o quando celebro a Eucaristia, ou\u00e7o confiss\u00f5es ou batizo. Estou em miss\u00e3o quando me sento para ler ou estudar pensando neles. Estou em miss\u00e3o quando elaboro um plano estrat\u00e9gico com meus irm\u00e3os e irm\u00e3s ou escrevo um projeto para melhorar a qualidade de vida do meu povo. Estou em miss\u00e3o quando construo uma escola ou uma capela. Estou em miss\u00e3o quando compartilho minha vida com voc\u00ea que est\u00e1 lendo isto.<br><br><strong>Todos n\u00f3s somos mission\u00e1rios por voca\u00e7\u00e3o<br><\/strong>Caros amigos, por meio do batismo, todos somos chamados a ser mission\u00e1rios, a ser miss\u00e3o. N\u00e3o precisamos ir para a \u00c1frica para sermos mission\u00e1rios. O chamado mission\u00e1rio \u00e9 um chamado interior para deixar tudo, para dar tudo onde Deus nos plantou. N\u00e3o para dar coisas, mas para \u201cdar a mim mesmo\u201d, para \u201ccompartilhar\u201d meu tempo, meus talentos, minha f\u00e9, meu profissionalismo, meu amor, meu servi\u00e7o com os mais vulner\u00e1veis. Se ouvirem esse chamado, n\u00e3o adiem a resposta. A caridade de Cristo e a urg\u00eancia do Reino est\u00e3o chamando voc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><br><em><em>dom Jorge Mario CRISAFULLI, sdb, Inspetor \u00c1frica N\u00edger N\u00edger<\/em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1995, h\u00e1 28 anos, deixei minha amada Argentina rumo \u00e0 \u00c1frica mission\u00e1ria com o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":26462,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":25,"footnotes":""},"categories":[163],"tags":[2559,2565,2561,1827,1815,1893,1935,2226],"class_list":["post-26468","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dom-bosco-no-mundo","tag-benfeitores","tag-caridade","tag-carisma-salesiano","tag-gracas-obtidas","tag-juventude","tag-missoes","tag-pobres","tag-salesianos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26468\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}