{"id":26430,"date":"2024-02-12T09:05:19","date_gmt":"2024-02-12T09:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=26430"},"modified":"2024-05-02T12:20:49","modified_gmt":"2024-05-02T12:20:49","slug":"ser-amavel-como-dom-bosco-1-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/ser-amavel-como-dom-bosco-1-2\/","title":{"rendered":"Ser am\u00e1vel como Dom Bosco (1\/2)"},"content":{"rendered":"\n<p><em><em>Ser am\u00e1vel \u00e9 uma qualidade humana que \u00e9 cultivada, aceitando o esfor\u00e7o que muitas vezes implica. Para Dom Bosco, n\u00e3o era um fim em si mesmo, mas um caminho para conduzir as almas a Deus. Discurso na 42\u00aa Jornada de Espiritualidade Salesiana em Valdocco, Turim.<br><\/em><\/em><br><em>Todas as coisas belas deste mundo come\u00e7aram com um sonho (Willy Wonka).<br>N\u00e3o desista do seu (m\u00e3e de Willy Wonka).<\/em><br><br><br>Um escultor estava trabalhando com seu martelo e cinzel em um grande bloco de m\u00e1rmore. Um garotinho, que estava andando por ali lambendo sorvete, parou em frente \u00e0 porta aberta da oficina.<br>O garotinho olhava fascinado para a chuva de poeira branca, de pequenas e grandes lascas de pedra que ca\u00edam \u00e0 esquerda e \u00e0 direita.<br>Ele n\u00e3o tinha ideia do que estava acontecendo; o homem que estava batendo a pedra grande como um louco parecia um pouco estranho para ele.<br>Algumas semanas depois, o garotinho passou pelo est\u00fadio e, para sua surpresa, viu um le\u00e3o grande e poderoso no lugar onde o bloco de m\u00e1rmore costumava estar.<br>Todo animado, o menino correu at\u00e9 o escultor e lhe disse: \u201cSenhor, diga-me, como o senhor sabia que havia um le\u00e3o na pedra?\u201d.<br><br><strong>O sonho de Dom Bosco \u00e9 o cinzel de Deus.<br><\/strong>O conselho simples e singular de Nossa Senhora no sonho de nove anos: \u201cTorna-te humilde, forte e robusto\u201d tornou-se a estrutura de uma personalidade \u00fanica e fascinante. E, acima de tudo, um \u201cestilo\u201d que podemos definir como \u201csalesiano\u201d.<br><br>Todos amavam Dom Bosco. Por qu\u00ea? Ele era atraente, um l\u00edder nato, um verdadeiro \u00edm\u00e3 humano. Durante toda a sua vida, ele sempre foi um \u201cconquistador\u201d de amigos afetuosos.<br>Jo\u00e3o Giacomelli, que permaneceu seu amigo por toda a vida, recorda: \u201cEntrei no semin\u00e1rio um m\u00eas depois dos outros, n\u00e3o conhecia quase ningu\u00e9m e, nos primeiros dias, estava como que perdido na solid\u00e3o. Foi o cl\u00e9rigo Bosco quem se aproximou de mim na primeira vez que me viu sozinho, depois do almo\u00e7o, e me fez companhia durante todo o tempo de recrea\u00e7\u00e3o, contando-me v\u00e1rias coisas agrad\u00e1veis, para me distrair de qualquer pensamento que eu pudesse ter sobre minha casa ou sobre os parentes que ficaram para tr\u00e1s. Conversando com ele, fiquei sabendo que ele havia ficado bastante doente durante as f\u00e9rias. Ele ent\u00e3o usou de muitas gentilezas para comigo. Entre outras, lembro-me de que, como eu tinha um bon\u00e9 desproporcionalmente alto, motivo pelo qual v\u00e1rios de meus companheiros zombavam de mim, o que desagradava a mim e a Bosco, que vinha comigo com frequ\u00eancia, ele mesmo o consertou para mim, pois tinha o material necess\u00e1rio e era muito h\u00e1bil em costura. Desde ent\u00e3o, comecei a admirar a bondade de seu cora\u00e7\u00e3o. Sua companhia era edificante.\u201d<br><em>Ser\u00e1 que podemos roubar algumas de suas qualidades para nos tornarmos \u201cam\u00e1veis\u201d tamb\u00e9m?<br><\/em><br><strong>1) Ser uma for\u00e7a positiva<br><\/strong>Algu\u00e9m que mant\u00e9m constantemente uma atitude positiva nos ajuda a ver o lado positivo e nos impulsiona a seguir em frente.<br>\u201cQuando Dom Bosco visitou pela primeira vez o telheiro miser\u00e1vel que seria usado para seu orat\u00f3rio, teve de tomar cuidado para n\u00e3o machucar a cabe\u00e7a, porque de um lado tinha apenas um metro de altura; como piso, tinha o ch\u00e3o nu e, quando chovia, a \u00e1gua penetrava por todos os lados. Dom Bosco percebia grandes ratos correndo entre seus p\u00e9s e morcegos voando sobre sua cabe\u00e7a\u201d. Mas, para Dom Bosco, aquele era o lugar mais bonito do mundo. E ele saiu correndo: \u201cCorri rapidamente para os meus jovens; reuni-os ao meu redor e, em voz alta, gritei: \u201cCoragem, meus filhos, temos um Orat\u00f3rio mais est\u00e1vel do que no passado; teremos uma igreja, uma sacristia, salas para as escolas, um campo de recrea\u00e7\u00e3o. No domingo, iremos ao novo Orat\u00f3rio que est\u00e1 na casa Pinardi. E lhes indicava o lugar\u201d.<br><br><strong>A alegria<br><\/strong>A alegria, um estado de esp\u00edrito positivo e feliz, era a normalidade na vida de Dom Bosco.<br>Mais verdadeira do que nunca para ele \u00e9 a express\u00e3o \u201cMinha voca\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. Minha voca\u00e7\u00e3o \u00e9 ser feliz com a felicidade dos outros\u201d.<br>Diante do amor n\u00e3o h\u00e1 adultos, apenas crian\u00e7as, esse esp\u00edrito infantil que \u00e9 abandono, despreocupa\u00e7\u00e3o, liberdade interior.<br><br>\u201cEle ia de um lugar para outro no p\u00e1tio, sempre se gabando de ser um jogador habilidoso, algo que exigia sacrif\u00edcio e esfor\u00e7o cont\u00ednuo. \u00abEra encantador v\u00ea-lo em nosso meio\u00bb, dizia um dos alunos, j\u00e1 em idade avan\u00e7ada. Alguns de n\u00f3s estavam sem palet\u00f3, outros tinham um, mas todo esfarrapado; algu\u00e9m mal conseguia manter as cal\u00e7as nos quadris, outro n\u00e3o tinha chap\u00e9u ou os dedos dos p\u00e9s estavam para fora dos sapatos furados. \u00c9ramos desgrenhados, \u00e0s vezes sujos, rudes, importunos, caprichosos&#8230; e ele achava um prazer estar com os mais miser\u00e1veis. Para os mais novos, ele tinha um carinho de m\u00e3e. \u00c0s vezes, duas crian\u00e7as se insultavam e batiam uma na outra por causa de jogos. Dom Bosco rapidamente ia at\u00e9 eles e os convidava a parar. \u00c0s vezes, cegos pela raiva, eles n\u00e3o prestavam aten\u00e7\u00e3o, e ele levantava a m\u00e3o como se fosse bater neles; mas, de repente, parava, pegava-os pelo bra\u00e7o e os separava, e logo os pequenos travessos cessavam todas as brigas como num passe de m\u00e1gica\u201d.<br>Muitas vezes, ele alinhava os jovens em dois campos opostos para a <em>barra comprida<\/em> e, tornando-se o l\u00edder de um dos lados, organizava um jogo t\u00e3o animado que, alguns jogadores e outros espectadores, todos os jovens ficavam inflamados com esses jogos. Por um lado, queriam a gl\u00f3ria da vit\u00f3ria de Dom Bosco, por outro, festejavam a certeza da vit\u00f3ria.<br>N\u00e3o raro, ele desafiava todos os jovens a ultrapass\u00e1-lo na corrida e estabelecia a meta, dando o pr\u00eamio ao vencedor. E l\u00e1 estavam eles em fila. Dom Bosco levanta a batina at\u00e9 o joelho e grita: \u2013 Aten\u00e7\u00e3o: um, dois, tr\u00eas! \u2013 E um enxame de jovens se precipitava, mas Dom Bosco era sempre o primeiro a alcan\u00e7ar a meta. O \u00faltimo desses desafios ocorreu precisamente em 1868 e Dom Bosco, apesar de suas pernas inchadas, ainda corria t\u00e3o r\u00e1pido que deixou 800 jovens atr\u00e1s de si, muitos deles de uma magreza maravilhosa. N\u00f3s, que est\u00e1vamos presentes, n\u00e3o pod\u00edamos acreditar em nossos olhos (MB III, 127 \u2013 MBp III, 102).<br><br><strong>2) Cuidar sinceramente dos outros<br><\/strong>Uma das caracter\u00edsticas das pessoas \u201catraentes\u201d \u00e9 o cuidado e a preocupa\u00e7\u00e3o genu\u00ednos e sinceros para com os outros. N\u00e3o se trata apenas de perguntar a algu\u00e9m como foi seu dia e ouvir sua resposta. Trata-se de realmente ouvir, sentir empatia e demonstrar interesse genu\u00edno pela vida dos outros. Dom Bosco chorou com o cora\u00e7\u00e3o partido com a morte do P. Calosso, de Lu\u00eds Comollo, ao ver os primeiros meninos atr\u00e1s das grades da pris\u00e3o.<br><br><strong>O jovem anticlerical<br><\/strong>Falaremos um pouco desse jovem porque ele \u00e9 como que o representante de centenas e centenas de outros seus companheiros. No outono de 1860, Dom Bosco entrou no caf\u00e9, chamado da Consolata, porque ficava perto do famoso Santu\u00e1rio desse nome, e sentou-se em uma sala isolada para ler calmamente a correspond\u00eancia que costumava trazer consigo. Naquele estabelecimento, um gar\u00e7om vivaz e cort\u00eas servia os clientes. Seu nome era Jo\u00e3o Paulo Cotella, natural de Cavour (Turim), com 13 anos de idade. Ele havia fugido de casa no ver\u00e3o daquele ano porque n\u00e3o suportava as repreens\u00f5es e a severidade de seus pais. Deixemos que ele descreva seu encontro com Dom Bosco, como ele o narrou ao P. Francisco Cerruti.<br>Ele contou: \u201cUma noite, o patr\u00e3o me disse: \u201cLeve uma x\u00edcara de caf\u00e9 a um padre que est\u00e1 ali na sala\u201d. Disse logo, assustado: \u201cEu levar caf\u00e9 para um padre?\u201d. Naquela \u00e9poca, os padres eram t\u00e3o impopulares quanto s\u00e3o hoje, at\u00e9 mais do que agora. Eu tinha ouvido e lido todo tipo de coisa e, portanto, tinha formado uma p\u00e9ssima opini\u00e3o sobre os padres.<br>Continuei com um ar zombeteiro: \u201cO que o senhor quer de mim, padre?\u201d, perguntei a Dom Bosco, com um ar de esc\u00e1rnio. E ele me olhou com firmeza: \u201cEu gostaria de tomar uma x\u00edcara de caf\u00e9, meu caro jovem\u201d, respondeu com grande amabilidade, \u201cmas com uma condi\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cQual?\u201d \u201cQue voc\u00ea mesmo a traga para mim\u201d.<br>Aquelas palavras e aquele olhar me conquistaram e eu disse a mim mesmo: \u201cEste n\u00e3o \u00e9 um padre como os outros\u201d.<br>Levei-lhe o caf\u00e9; uma for\u00e7a arcana me manteve perto dele, que come\u00e7ou a me questionar, sempre da maneira muito carinhosa, sobre minha vila natal, minha idade, minhas ocupa\u00e7\u00f5es e, acima de tudo, por que eu havia fugido de casa. E ele continuou: \u201cVoc\u00ea quer vir comigo?\u201d. \u201cPara onde?\u201d \u201cPara o Orat\u00f3rio de Dom Bosco. Este lugar e este servi\u00e7o n\u00e3o s\u00e3o para voc\u00ea.\u201d \u201cE quando eu estarei l\u00e1?\u201d \u201cSe voc\u00ea quiser, pode estudar.\u201d \u201cMas voc\u00ea vai me tratar bem?\u201d \u201cQue d\u00favida! L\u00e1 voc\u00ea brinca, fica alegre, se diverte&#8230;\u201d Respondi: \u201cEst\u00e1 bem, eu vou. Mas quando? Logo? Amanh\u00e3?\u201d \u201cEsta noite\u201d, acrescentou Dom Bosco.<br>Pedi demiss\u00e3o ao meu patr\u00e3o, que gostaria que eu ficasse mais alguns dias, e peguei meus poucos trapos e fui para o Orat\u00f3rio naquela mesma noite. No dia seguinte, Dom Bosco escreveu a meus pais para tranquiliz\u00e1-los a meu respeito, convidando-os a procur\u00e1-lo para obter os entendimentos necess\u00e1rios sobre a ajuda com a alimenta\u00e7\u00e3o e as despesas correlatas. De fato, minha m\u00e3e veio e, depois de ouvir o que ela disse sobre as condi\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia, Dom Bosco concluiu: \u201cBem, vamos fazer o seguinte: voc\u00eas pagam 12 liras por m\u00eas, e Dom Bosco paga o resto\u201d.<br>Admirei nisso n\u00e3o apenas a caridade requintada, mas a prud\u00eancia de Dom Bosco. Minha fam\u00edlia n\u00e3o era rica, mas era suficientemente abastada. Se, portanto, ele tivesse me aceitado gratuitamente, n\u00e3o teria feito bem, pois isso teria prejudicado outros mais necessitados do que eu.<br>Durante dois anos, seus pais mantiveram o acordo com Dom Bosco a respeito da pens\u00e3o; mas no in\u00edcio do terceiro ano deixaram de pagar e n\u00e3o quiseram mais saber: O jovem, embora extremamente vivaz, era aberto, franco, de bom cora\u00e7\u00e3o, de conduta exemplar e tirava muito proveito de seus estudos. Agora, nesse ano escolar (1862-1863), quando estava prestes a entrar na quarta classe, temendo ter que interromper seus estudos, abriu-se com Dom Bosco, que lhe respondeu: \u201cE o que importa se seus pais n\u00e3o querem mais pagar? <strong>Eu n\u00e3o estou aqui? Fique tranquilo, pois Dom Bosco n\u00e3o abandonar\u00e1 voc\u00ea<\/strong>\u201d. E, de fato, enquanto ele permaneceu no Orat\u00f3rio, Dom Bosco lhe forneceu tudo o que precisava.<br>Quando terminou o quarto ano da escola secund\u00e1ria e foi aprovado nos exames, p\u00f4s-se a trabalhar; e o primeiro dinheiro que conseguiu juntar com seu trabalho, enviou-o a Dom Bosco \u00e0 custa de priva\u00e7\u00f5es e em pequenas presta\u00e7\u00f5es para compensar o saldo da pequena pens\u00e3o que seus pais haviam deixado de pagar em seu \u00faltimo ano no Orat\u00f3rio. Viveu como um bom crist\u00e3o, difundiu com zelo as <em>Leituras Cat\u00f3licas<\/em>, foi um dos primeiros a aderir \u00e0 uni\u00e3o dos ex-alunos e manteve sempre uma comunica\u00e7\u00e3o afetuosa com seus antigos superiores.<br><br><strong>3) Ser um bom ouvinte<br><\/strong>Em um mundo em que todos parecem estar falando o tempo todo, um bom ouvinte se destaca. Ouvir o que algu\u00e9m diz \u00e9 uma coisa, mas realmente escutar \u2013 absorver e compreender \u2013 \u00e9 outra. Ser um bom ouvinte n\u00e3o significa apenas ficar em sil\u00eancio enquanto a outra pessoa fala. Trata-se de participar da conversa, fazer perguntas de sondagem e demonstrar um interesse genu\u00edno.<br><br><strong>O contato \u00e9 uma troca de energia<\/strong><br>Ele tinha uma das qualidades mais raras: a \u201cgra\u00e7a da exist\u00eancia\u201d. Uma vida transbordante, como o bom vinho da pipa. Por isso, milhares de pessoas diziam: \u201cObrigado por existir!\u201d e \u201cAo seu lado eu sou outro!\u201d<br>\u201cEscutava os rapazes com a maior aten\u00e7\u00e3o, como se as coisas expostas por eles fossem da maior import\u00e2ncia. \u00c0s vezes, levantava, andava com eles na sala. Terminada a conversa, acompanhava-os at\u00e9 o umbral, abria a porta e os despedia dizendo: \u201cSeremos sempre amigos, n\u00e9!\u201d (Mem\u00f3rias Biogr\u00e1ficas VI, 439 \u2013 MBp VI, 412).<br><br><strong>4) A beleza do homem bom<br><\/strong>\u00c9 por isso que Dom Bosco \u00e9 atraente. O Cardeal Jo\u00e3o Cagliero relatou o seguinte fato observado pessoalmente quando acompanhava Dom Bosco. Depois de uma confer\u00eancia realizada em Nice, Dom Bosco deixou o presbit\u00e9rio da igreja para ir at\u00e9 a porta, cercado pela multid\u00e3o que n\u00e3o o deixava caminhar. Um indiv\u00edduo de aspecto sombrio permaneceu im\u00f3vel, observando-o como se ele estivesse tramando algo ruim. Dom Cagliero, que estava de olho nele, preocupado com o que poderia acontecer, viu o homem se aproximar. Dom Bosco falou com ele: \u201cO que voc\u00ea quer?\u201d \u201cEu? Nada!\u201d<br>\u201cMas parece que voc\u00ea tem algo a me dizer!\u201d \u201cN\u00e3o tenho nada a lhe dizer.\u201d<br>\u201cVoc\u00ea quer se confessar?\u201d \u201cEu me confessar? Nem pensar!\u201d<br>\u201cEnt\u00e3o, o que est\u00e1 fazendo aqui?\u201d \u201cEstou aqui porque&#8230; n\u00e3o posso ir embora!\u201d<br>\u201cEu entendo&#8230; Senhores, deixem-me sozinho por um momento\u201d, disse Dom Bosco aos que o cercavam. Os vizinhos se afastaram, Dom Bosco sussurrou algumas palavras no ouvido do homem que, caindo de joelhos, confessou-se no meio da igreja (cf. MB XIV, 37).<br><br>O <strong>Papa Pio XI<\/strong>, o Pont\u00edfice que canonizou Dom Bosco e que tinha sido h\u00f3spede de Dom Bosco na casa Pinardi no outono de 1883, recorda: \u201cEle respondia a todos: e tinha a palavra certa para tudo, t\u00e3o adequada a ponto de surpreender: de fato primeiro surpreendia e depois despertava maravilha\u201d.<br>Duas coisas nos fazem compreender a eternidade: o amor e a admira\u00e7\u00e3o. Dom Bosco resumiu-as em sua pessoa. A beleza exterior \u00e9 o componente vis\u00edvel da beleza interior. E ela se manifesta por meio da luz que emana dos olhos de cada indiv\u00edduo. N\u00e3o importa se ele ou ela est\u00e1 mal vestido ou n\u00e3o est\u00e1 de acordo com nossos c\u00e2nones de eleg\u00e2ncia, ou se ele ou ela n\u00e3o tenta se impor \u00e0 aten\u00e7\u00e3o das pessoas ao seu redor. Os olhos s\u00e3o o espelho da alma e, at\u00e9 certo ponto, revelam o que parece estar oculto.<br>Mas, al\u00e9m de sua capacidade de brilhar, eles possuem outra qualidade: atuam como um espelho tanto para os dons guardados na alma quanto para os homens e mulheres que s\u00e3o objeto de seu olhar.<br>Na verdade, eles refletem quem est\u00e1 olhando para eles. Como qualquer espelho, os olhos devolvem o reflexo mais \u00edntimo do rosto que est\u00e1 diante deles.<br><br><strong>Um velho sacerdote<\/strong>, ex-aluno de Valdocco, escreveu em 1889: \u201cO que mais se destacava em Dom Bosco era seu olhar, doce, mas penetrante, at\u00e9 os segredos do cora\u00e7\u00e3o, que mal se podia resistir ao olhar\u201d. E acrescentava: \u201cEm geral os retratos e os quadros n\u00e3o apresentam esta particularidade\u201d (MB VI, 2-3 \u2013 MBp VI, 29).<br>Outro ex-aluno, da d\u00e9cada de 1870, Pedro Pons, revela em suas lembran\u00e7as: \u201cDom Bosco tinha dois olhos que perfuravam e penetravam a mente&#8230; Ele passeava devagar, conversando e olhando para todos com dois olhos que se voltavam para todos os lados, eletrizando os cora\u00e7\u00f5es com alegria\u201d (MB XVII, 863).<br>Voc\u00ea sabe que \u00e9 uma boa pessoa quando as pessoas sempre o procuram para pedir conselhos e incentivos. A porta de Dom Bosco estava sempre aberta para jovens e adultos. A beleza do homem bom \u00e9 uma qualidade dif\u00edcil de definir, mas quando ela est\u00e1 presente, voc\u00ea a percebe: como um perfume. Todos n\u00f3s sabemos o que \u00e9 o perfume das rosas, mas ningu\u00e9m pode se levantar e explic\u00e1-lo. \u00c0s vezes acontecia esse fen\u00f4meno, de um jovem se sentir atra\u00eddo por ele.<br>\u00c0s vezes acontecia esse fen\u00f4meno: um jovem ouvia a palavra de Dom Bosco e n\u00e3o conseguia sair do seu lado, absorvido quase em uma ideia luminosa&#8230; Outros vigiavam sua porta \u00e0 noite, batendo de leve de vez em quando, at\u00e9 que ela se abrisse para eles, porque n\u00e3o queriam dormir com o pecado na alma.<\/p>\n\n\n\n<p><br><em><a href=\"..\/pt-pt\/dom-bosco\/ser-amavel-como-dom-bosco-2-2\/\">(continua)<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser am\u00e1vel \u00e9 uma qualidade humana que \u00e9 cultivada, aceitando o esfor\u00e7o que muitas vezes&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":26424,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":21,"footnotes":""},"categories":[173],"tags":[2565,2561,1749,2577,2224,2226,2228,2619,2025],"class_list":["post-26430","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dom-bosco","tag-caridade","tag-carisma-salesiano","tag-conselhos","tag-dom-bosco","tag-formacao","tag-salesianos","tag-santos","tag-testemunhos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26430\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}