{"id":19624,"date":"2023-10-27T07:32:57","date_gmt":"2023-10-27T07:32:57","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=19624"},"modified":"2026-03-25T16:28:06","modified_gmt":"2026-03-25T16:28:06","slug":"alexandre-planas-sauri-o-martir-surdo-1-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/alexandre-planas-sauri-o-martir-surdo-1-2\/","title":{"rendered":"Alexandre Planas Saur\u00ec, o m\u00e1rtir surdo (1\/2)"},"content":{"rendered":"\n<p><em><em>Alexandre Planas Saur\u00ec, nascido em Matar\u00f3 (Barcelona) em 31 de dezembro de 1878, foi um colaborador leigo dos salesianos at\u00e9 sua gloriosa morte como m\u00e1rtir em Garraf (Barcelona) em 19 de novembro de 1936. Sua beatifica\u00e7\u00e3o foi realizada junto com outros salesianos e membros da fam\u00edlia salesiana, em 11 de mar\u00e7o de 2001, pelo Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II.<br><\/em><\/em><br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na lista dos m\u00e1rtires espanh\u00f3is beatificados pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II, em 11 de mar\u00e7o de 2001, figura o leigo Alexandre PLANAS SAUR\u00cc, um dos m\u00e1rtires salesianos da Inspetoria Tarraconense, subgrupo de Barcelona. Os testemunhos sobre sua vida tamb\u00e9m usam a palavra \u201cda fam\u00edlia\u201d ou \u201ccooperador\u201d, mas todos o definem como \u201cum aut\u00eantico salesiano\u201d. O povoado de Sant Vicen\u00e7 dels Horts, onde viveu durante 35 anos, o conhecia pelo sobrenome de \u201c<em>El Sord<\/em>\u201d, \u201c<em>El Sord dels Frares<\/em> (O Surdo dos Frades)\u201d. E essa \u00e9 a express\u00e3o que aparece na bela placa na igreja paroquial, colocada em um lado da parte de tr\u00e1s, no local exato onde Alexandre ficava quando ia rezar.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua vida foi ceifada na noite de 18 para 19 de novembro de 1936, juntamente com a de um salesiano coadjutor, Eliseu Garc\u00eda, que ficou com ele para n\u00e3o deix\u00e1-lo sozinho, pois Alexandre n\u00e3o queria sair do vilarejo e procurar um lugar mais seguro. Em poucas horas, ambos foram presos, condenados pelo comit\u00ea anarquista do munic\u00edpio e levados para as margens do Garraf, no Mediterr\u00e2neo, onde foram fuzilados. Seus corpos n\u00e3o foram recuperados. Alexandre tinha 58 anos de idade.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa \u00e9 uma nota que poderia ter aparecido na p\u00e1gina de eventos de qualquer jornal e ca\u00eddo no mais completo esquecimento. Mas isso n\u00e3o aconteceu. A Igreja proclamou bem-aventurados os dois. Para a Fam\u00edlia Salesiana, eles foram e sempre ser\u00e3o \u201csinais de f\u00e9 e reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d. Nestas p\u00e1ginas, faremos refer\u00eancia ao Sr. Alexandre. Quem era esse homem que as pessoas apelidaram de \u201c<em>el Sord dels frares<\/em>\u201d?<br><br><strong>As circunst\u00e2ncias de sua vida<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alexandre Planas Saur\u00ec nasceu em Matar\u00f3 (prov\u00edncia de Barcelona) em 1878, seis anos antes de o trem que levava Dom Bosco a Barcelona (para visitar e se encontrar com os salesianos e os jovens da casa de Sarri\u00e1) parar na esta\u00e7\u00e3o dessa cidade, para buscar a Sra. Dorotea de Chopitea e os Codolar Mart\u00ed, que queriam acompanh\u00e1-lo na \u00faltima etapa da viagem a Barcelona.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sabe-se muito pouco sobre sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Ele foi batizado na par\u00f3quia mais popular da cidade, S\u00e3o Jos\u00e9 e S\u00e3o Jo\u00e3o. Foi, sem d\u00favida, um menino ass\u00edduo nas celebra\u00e7\u00f5es dominicais, atividades e festas paroquiais. A julgar pela trajet\u00f3ria de sua vida posterior, ele era um jovem que sabia como desenvolver uma vida espiritual s\u00f3lida.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alexandre tinha uma defici\u00eancia f\u00edsica significativa: era totalmente surdo e tinha um corpo desajeitado (baixa estatura e corpo curvado). As circunst\u00e2ncias que o levaram a Sant Vicen\u00e7 dels Horts, uma cidade a cerca de 50 km de sua cidade natal, s\u00e3o desconhecidas. A verdade \u00e9 que, em 1900, ele estava entre os salesianos da pequena cidade de Sant Vicen\u00e7 como funcion\u00e1rio nas atividades cotidianas da casa salesiana: jardinagem, limpeza, agricultura, recados&#8230; Um jovem engenhoso e trabalhador. E, acima de tudo, \u201c<em>bom e muito piedoso<\/em>\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A casa de Sant Vicen\u00e7 dels Horts foi comprada pelo padre Filipe Rinaldi, ex-inspetor da Espanha, em 1895, para abrigar o noviciado e os estudos de filosofia que seriam realizados em seguida. Foi o primeiro centro de forma\u00e7\u00e3o dos salesianos na Espanha. Alexandre chegou l\u00e1 em 1900 como funcion\u00e1rio, conquistando imediatamente a estima de todos. Ele se sentia muito \u00e0 vontade, totalmente integrado ao esp\u00edrito e \u00e0 miss\u00e3o daquela casa.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No final do ano letivo de 1902-1903, a casa passou por uma grande mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o. O Reitor-Mor, P. Miguel Rua, havia criado as tr\u00eas prov\u00edncias da Espanha. As de Madri e Sevilha decidiram organizar a forma\u00e7\u00e3o em suas respectivas prov\u00edncias. A de Barcelona tamb\u00e9m transferiu o noviciado e a filosofia para Girona. A casa em Sant Vicen\u00e7 dels Horts ficou praticamente vazia em poucos meses, habitada apenas pelo Sr. Alexandre.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Daquele ano at\u00e9 1931 (28 anos!), ele se tornou o guardi\u00e3o da casa. Mas n\u00e3o apenas da propriedade, mas, acima de tudo, das tradi\u00e7\u00f5es salesianas que, em poucos anos, haviam se enraizado fortemente na popula\u00e7\u00e3o. Uma presen\u00e7a e um trabalho ben\u00e9volo, vivendo como um anacoreta, mas de modo algum alheio aos amigos da casa que o protegiam, aos doentes da cidade que visitava, \u00e0 vida paroquial que frequentava, aos paroquianos que edificava com o exemplo de sua piedade e \u00e0s crian\u00e7as da catequese paroquial e do orat\u00f3rio festivo que animava junto com um jovem da cidade, Jo\u00e3o Juncadella, com quem criou uma forte amizade. Distante e pr\u00f3ximo ao mesmo tempo, com grande influ\u00eancia sobre as pessoas. Um personagem singular. A refer\u00eancia do esp\u00edrito salesiano no vilarejo. \u201c<em>El sord dels frares<\/em>\u201d.<br><br><strong><strong>O homem<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alexandre, deficiente e surdo, mas que compreendia seus interlocutores gra\u00e7as ao seu olhar penetrante, ao movimento dos l\u00e1bios, respondia sempre com lucidez, mesmo que em voz baixa. Um homem com um cora\u00e7\u00e3o bom e luminoso: \u201c<em>Um tesouro colocado em um pote de barro feio, mas n\u00f3s, as crian\u00e7as, pudemos perceber perfeitamente sua dignidade humana<\/em>\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele se vestia pobremente, sempre com sua bolsa pendurada no ombro, \u00e0s vezes acompanhado por um cachorro. Os salesianos o deixavam ficar em casa. Ele podia viver com o que a horta produzia e com a ajuda que recebia de algumas pessoas. Sua pobreza era exemplar, mais do que evang\u00e9lica. E se ele tinha algo a mais, dava aos pobres. Em meio a esse tipo de vida, ele desempenhava a tarefa de zelador da casa com absoluta fidelidade.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao lado do homem fiel e respons\u00e1vel, aparece o homem bom, humilde e abnegado, de uma amabilidade invenc\u00edvel, embora firme. \u201c<em>Ele n\u00e3o permitia que se falasse mal de ningu\u00e9m<\/em>\u201d. At\u00e9 a\u00ed chegava a gentileza de seu cora\u00e7\u00e3o. \u201c<em>O consolador de todas as fam\u00edlias<\/em>\u201d. Um homem de cora\u00e7\u00e3o transparente, de reta inten\u00e7\u00e3o. Um homem que se fazia amar e respeitar. As pessoas estavam com ele.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized td-caption-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"357\" height=\"498\" src=\"https:\/\/www.donbosco.press\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Alexandre-Planas-Sauri-il-sordo-martire-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19611\" style=\"aspect-ratio:0.7168674698795181;width:245px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.donbosco.press\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Alexandre-Planas-Sauri-il-sordo-martire-1.jpg 357w, https:\/\/www.donbosco.press\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Alexandre-Planas-Sauri-il-sordo-martire-1-215x300.jpg 215w, https:\/\/www.donbosco.press\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Alexandre-Planas-Sauri-il-sordo-martire-1-150x209.jpg 150w, https:\/\/www.donbosco.press\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Alexandre-Planas-Sauri-il-sordo-martire-1-300x418.jpg 300w, https:\/\/www.donbosco.press\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Alexandre-Planas-Sauri-il-sordo-martire-1-301x420.jpg 301w\" sizes=\"auto, (max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong><strong>O artista<br><\/strong><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alexandre tamb\u00e9m tinha a alma de um artista. De um artista e de um m\u00edstico. Isolado dos barulhos externos, ele vivia absorto em constante contempla\u00e7\u00e3o m\u00edstica. E era capaz de captar na mat\u00e9ria os sentimentos mais \u00edntimos de sua experi\u00eancia religiosa, que quase sempre girava em torno da paix\u00e3o de Jesus Cristo.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No p\u00e1tio da casa, ele erigiu tr\u00eas monumentos claramente vis\u00edveis: Cristo pregado na cruz, a deposi\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os de Maria e o santo sepulcro. Entre os tr\u00eas, a cruz presidia o p\u00e1tio. Os passageiros do trem que passava ao lado da propriedade podiam v\u00ea-lo perfeitamente. Por outro lado, ele montou uma pequena oficina em uma das depend\u00eancias da casa, onde executava as encomendas que recebia ou pequenas imagens com as quais satisfazia os gostos da piedade popular e as distribu\u00eda gratuitamente entre seus vizinhos.<br><br><strong>O homem de f\u00e9<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas o que dominava sua personalidade era sua f\u00e9 crist\u00e3. Ele a professava no mais profundo de seu ser e a manifestava com total clareza, \u00e0s vezes at\u00e9 ostensivamente, professando-a em p\u00fablico. \u201c<em>Um verdadeiro santo<\/em>\u201d, um \u201c<em>homem de Deus<\/em>\u201d, diziam as pessoas. \u201c<em>Quando cheg\u00e1vamos \u00e0 capela pela manh\u00e3 ou \u00e0 tarde, sempre, infalivelmente, encontr\u00e1vamos Alexandre rezando, de joelhos, fazendo suas pr\u00e1ticas de piedade<\/em>\u201d. \u201c<em>Sua piedade era muito profunda<\/em>\u201d. Um homem totalmente aberto \u00e0 voz do Esp\u00edrito, com a sensibilidade que os santos possuem. O mais admir\u00e1vel nesse homem era sua sede e fome de Deus, \u201c<em>sempre buscando mais espiritualidade<\/em>\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A f\u00e9 de Alexandre era, antes de tudo, aberta ao mist\u00e9rio de Deus, diante de cuja grandeza ele ca\u00eda de joelhos em profunda adora\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Curvado com o corpo, com os olhos baixos, cheio de vida interior&#8230; colocado em um lado da igreja, com a cabe\u00e7a baixa, ajoelhado, absorto no mist\u00e9rio de Deus, totalmente imerso na medita\u00e7\u00e3o do prazer sagrado, ele dava vaz\u00e3o a seus afetos e emo\u00e7\u00f5es<\/em>&#8230;\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201c<em>Ele passava horas diante do tabern\u00e1culo, ajoelhado, com o corpo inclinado quase horizontalmente at\u00e9 o ch\u00e3o, ap\u00f3s a comunh\u00e3o<\/em>\u201d. Da contempla\u00e7\u00e3o de Deus e de Sua grandeza salvadora, Alexandre extraiu uma grande confian\u00e7a na Provid\u00eancia Divina, mas tamb\u00e9m uma avers\u00e3o radical \u00e0 blasf\u00eamia contra a gl\u00f3ria de Deus e Seu santo nome. Ele n\u00e3o podia tolerar a blasf\u00eamia. \u201c<em>Ao ouvir uma blasf\u00eamia, ele ficava tenso, olhando intensamente para a pessoa que a havia proferido, ou sussurrava com compaix\u00e3o, para que a pessoa pudesse ouvir: \u00abNossa Senhora chora, Nosso Senhor chora\u00bb<\/em>\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua f\u00e9 era expressa nas devo\u00e7\u00f5es tradicionais da Eucaristia, como vimos, e no ros\u00e1rio mariano. Mas onde seu impulso religioso encontrava o canal mais adequado \u00e0s suas necessidades foi, sem d\u00favida, na medita\u00e7\u00e3o sobre a paix\u00e3o de Cristo. \u201c<em>Do Surdo, lembro-me da impress\u00e3o que t\u00ednhamos ao ouvi-lo falar da Paix\u00e3o de Cristo<\/em>\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele carregava o mist\u00e9rio da cruz em sua carne e em sua alma. Em sua homenagem, ele havia erguido os monumentos da cruz, da deposi\u00e7\u00e3o e da sepultura de Cristo. Todos os relatos tamb\u00e9m mencionam o crucifixo de ferro que ele usava pendurado no peito e cuja corrente estava presa em sua pele. E ele sempre dormia com um grande crucifixo ao seu lado. Ele n\u00e3o queria desfazer-se do crucifixo nem mesmo durante os meses de persegui\u00e7\u00e3o religiosa que culminaram em seu mart\u00edrio. \u201c<em>Ser\u00e1 que estou fazendo algum mal?<\/em> \u2013 dizia \u2013 <em>e se me matarem, tanto melhor, pois j\u00e1 tenho o c\u00e9u aberto<\/em>\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todos os dias ele fazia o exerc\u00edcio da Via Sacra: \u201c<em>Quando subia para a sala de estudos, o Sr. Planas entrava na capela e, quando desc\u00edamos, depois de uma hora, ele estava terminando a Via Sacra, que fazia totalmente inclinado, at\u00e9 a cabe\u00e7a tocar o ch\u00e3o<\/em>\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nessa experi\u00eancia da cruz, \u00e0 qual se somava sua profunda devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, a espiritualidade do Surdo se projetou para a ascese e a solidariedade. Vivia como um penitente, em pobreza evang\u00e9lica e esp\u00edrito de mortifica\u00e7\u00e3o. Dormia sobre t\u00e1buas, sem colch\u00e3o ou travesseiro, tendo ao seu lado uma caveira que lhe lembrava a morte e \u201c<em>alguns instrumentos de penit\u00eancia<\/em>\u201d. Ele n\u00e3o aprendeu isso com os salesianos. Ele o havia aprendido anteriormente e o explicava lembrando a espiritualidade do padre jesu\u00edta, Santo Afonso Rodr\u00edguez, cujo manual ele costumava ler na casa do noviciado e no qual \u00e0s vezes meditava durante aqueles anos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas seu amor pela cruz tamb\u00e9m o levava \u00e0 solidariedade. Sua austeridade era impressionante. Ele se vestia como os pobres e comia frugalmente. Ele dava tudo o que podia dar: n\u00e3o dinheiro, porque n\u00e3o tinha nenhum, mas sempre sua ajuda fraterna: \u201c<em>Quando havia algo a ser feito para algu\u00e9m, ele deixava tudo e ia para onde havia necessidade<\/em>\u201d. Os que mais se beneficiavam eram as crian\u00e7as da catequese e os doentes. \u201c<em>Nunca faltava \u00e0 cabeceira de uma pessoa gravemente doente: ele cuidava dela enquanto a fam\u00edlia descansava. E se n\u00e3o houvesse ningu\u00e9m na fam\u00edlia que pudesse preparar o falecido, ele estava pronto para esse servi\u00e7o. Os pobres doentes eram os preferidos, aos quais, se podia, ajudava com as esmolas que recolhia ou com o fruto de seu trabalho<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br><em><a href=\"..\/pt-pt\/nossos-santos\/alexandre-planas-sauri-o-martir-surdo-2-2\/\">(continua)<\/a><\/em><br><br><em>dom Joan Llu\u00eds Play\u00e0, sdb<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Planas Saur\u00ec, nascido em Matar\u00f3 (Barcelona) em 31 de dezembro de 1878, foi um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19608,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":5,"footnotes":""},"categories":[167],"tags":[2565,1731,2557,2592,1881,1845,2228,2619],"class_list":["post-19624","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nossos-santos","tag-caridade","tag-casas-salesianas","tag-deus","tag-familia-salesiana","tag-martires","tag-nossos-herois","tag-santos","tag-testemunhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19624"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51042,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19624\/revisions\/51042"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}