10 Fev 2026, Ter

Entrevista com o P. Gábor VITÁLIS, superior da Inspetoria da Hungria

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Entrevistamos o P. Gábor Vitális, o novo superior da Inspetoria salesiana da Hungria, sobre o seu percurso vocacional e a sua visão da missão educativa entre os jovens. Com franqueza e autenticidade, ele conta como o chamado ao sacerdócio amadureceu gradualmente desde a adolescência, entre dúvidas e confirmações interiores. Em suas palavras emerge um quadro rico de referências espirituais – de Dom Bosco a são Domingos Sávio – e uma reflexão atual sobre os desafios da evangelização contemporânea. O P. Vitális oferece um olhar sincero sobre as alegrias e as dificuldades do serviço educativo, sublinhando a importância da autenticidade, da oração e do testemunho crível para alcançar o coração dos jovens de hoje.

Qual é a história da sua vocação?
A minha vocação não foi uma descoberta repentina, mas o fruto de um longo processo de amadurecimento. Desde a infância fui atraído por Cristo e pela proximidade do serviço do altar. Por volta dos doze, treze anos, surgiu pela primeira vez em mim a ideia de me tornar sacerdote ou religioso, e esse pensamento nunca mais me deixou. Vivi também lutas, uma certa resistência interior; desejava também a vida familiar, mas dentro de mim estava sempre presente a sensação de que Deus me chamava para algo mais.
Depois do ensino médio, matriculei-me na universidade, mas logo compreendi que não estava no caminho que Deus havia pensado para mim. Nesse período comecei a rezar de modo consciente para reconhecer a minha vocação e para ter a força de dizer sim. Em 2000 entrei no Instituto Salesiano e, desde então, confirmo cada vez mais profundamente que é aqui o meu lugar.

Quais pessoas – santos, educadores, familiares – tiveram maior influência na escolha da sua vocação?
Muitas pessoas tiveram uma influência determinante sobre mim. A minha bisavó e uma professora idosa rezaram por mim durante muitos anos – hoje tenho consciência disso com clareza. Minha mãe me acompanhava à igreja e ela mesma retomou a prática da fé. Os salesianos que viviam em nossa cidade foram para mim um exemplo, com o seu amor, o seu senso de humor e a sua vida exigente e laboriosa.
Dentro da Congregação, entre os inspetores anteriores, o P. Havasi teve um papel significativo, assim como muitos coirmãos; a pessoa de Dom Bosco e a sua pedagogia continuam sendo para mim, ainda hoje, um ponto de referência e uma bússola. Lembro-me bem de ter sido um adolescente vivaz, mas por anos carreguei comigo, no bolso, o lema de são Domingos Sávio: «Antes morrer do que pecar». Ele era para mim um verdadeiro modelo: alguém que eu desejava seguir, tornar-me como ele, forte no espírito, perseverante nos meus deveres e, ao mesmo tempo, capaz de permanecer sempre alegre.

O que lhe dá a maior alegria no seu serviço? E qual é a maior dificuldade?
É uma grande alegria ver nascer a esperança nos jovens e vê-los fazer a experiência de que a sua vida é importante, porque Deus os ama. É uma alegria poder ser instrumento de Deus, seja num serviço simples como oferecer o café da manhã, seja numa iniciativa comunitária mais ampla.
As dificuldades não poupam nem mesmo a nossa Inspetoria, e não é fácil quando é preciso tomar decisões dolorosas ou enfrentar situações de crise, sobretudo quando estas tocam a vida e a confiança das pessoas. Não podemos esconder a cabeça na areia nem fugir diante dos problemas: é preciso carregar os pesos interiores que tudo isso comporta. Ao mesmo tempo, porém, devemos reconhecer que tais situações oferecem também uma oportunidade de purificação e, por meio disso, de crescimento espiritual.

Como cuida da sua formação permanente – por meio de livros, cursos e exercícios espirituais?
Para mim é importante crescer continuamente não apenas no plano profissional, mas também no espiritual. A minha vida é acompanhada por numerosas leituras espirituais e teológicas, como, por exemplo, os escritos do P. Pascual Chávez sobre a santidade da vida, os escritos de Santo Agostinho, e leio continuamente Dom Bosco. Confesso-me regularmente, participo diariamente da Santa Missa e encontro conscientemente Cristo na Santa Comunhão, e dedico conscientemente tempo à oração.
Nos últimos anos estudei também o direito canônico, que me ajuda a tomar decisões de modo responsável e transparente.

Na sua opinião, quais são hoje as prioridades evangélicas para os jovens?
Hoje os jovens precisam sobretudo de exemplos autênticos. Não de teorias, mas de pessoas que vivam aquilo de que falam. A fé deve primeiro ser conhecida, depois testemunhada, dando testemunho de Cristo com quem se entrou em um encontro pessoal. Não contam as palavras, mas a autenticidade, porque os jovens de hoje precisam de testemunhas críveis.
Naturalmente, também é importante a dimensão comunitária: sentir-se parte de algo, perceber-se acolhido e reconhecido. O Evangelho torna-se para eles compreensível e atraente quando é transmitido com amor, paciência e alegria.
A espiritualidade de Dom Bosco, o Sistema Preventivo, a presença e o acompanhamento pessoal continuam hoje elementos fundamentais e plenamente atuais; no entanto, tudo isso realmente alcança os jovens somente se nós mesmos formos autênticos e coerentes com aquilo que vivemos.

Como consegue conciliar no dia a dia a oração, o estudo e a atividade educativa?
É uma busca contínua de equilíbrio. Não desejo ser apenas um religioso ativo, mas um religioso que reza. Quando a oração é colocada em segundo plano, todo o serviço corre o risco de se esvaziar; ao mesmo tempo, as tarefas de liderança exigem muito tempo, atenção e discernimento.
Procuro organizar tudo de tal modo que esses âmbitos não prejudiquem uns aos outros, mas se reforcem reciprocamente.

Quais são hoje os maiores desafios da evangelização e da missão?
Um dos maiores desafios é a questão da credibilidade. Os jovens são muito sensíveis às contradições: quando percebem que a Igreja não vive de forma coerente com o seu ensinamento, isso os desorienta. É igualmente fundamental reconstruir a confiança onde ela foi ferida.
Também o mundo digital e o estilo de vida acelerado representam um desafio: é difícil alcançar os jovens, e é igualmente difícil suscitar neles o desejo de uma vida interior profunda.

Que conselho daria a um jovem que sente ser chamado à vida religiosa?
Eu lhe diria: não tenha medo das perguntas e das lutas. Elas fazem parte, de modo natural, do caminho vocacional. São fundamentais a oração sincera, o acompanhamento espiritual e a coragem de conceder-se tempo. A vocação não é feita de renúncias, mas de plenitude: Deus nunca tira algo sem dar em troca muito mais.

Que lugar ocupa na sua vida Maria, Auxiliadora dos Cristãos?
Para mim, Maria é a Mãe que protege e sustenta. Faço frequentemente a experiência de que ela me guia também quando eu não vejo com clareza o caminho. De Dom Bosco aprendi a confiar nela com segurança, sobretudo nos momentos de decisões difíceis. Procuro visitar todos os meses um santuário mariano, para agradecer pela sua ajuda e pedir a sua intercessão.

Que mensagem você deseja transmitir aos jovens de hoje?
Gostaria de lhes dizer que não estão sozinhos e que a sua vida é um presente bonito, que deve ser desembrulhado com confiança. Deus criou cada um como uma pessoa preciosa e tem para cada pessoa um projeto que conduz à felicidade, mesmo quando às vezes tudo ao redor parece confuso ou negativo.
É preciso ter a coragem de sonhar grande, como fez Dom Bosco, e de não ter medo da busca e dos novos começos. A vida é muito mais do que aquilo que aparece à primeira vista.

Editor BSOL

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