26 Mar 2026, Qui

Exame de consciência segundo os 10 mandamentos

É, na prática, um exame sobre o amor: os três primeiros mandamentos dizem respeito ao amor a Deus, e os sete seguintes, ao amor aos outros e a nós mesmos.

Nota importante para o exame de consciência
Este exame é uma ferramenta de ajuda, não uma lista exaustiva. Leia-o lentamente, em oração, diante de Deus. Deixe que o Espírito Santo ilumine a sua consciência. Lembre-se: o objetivo não é a ansiedade, mas o encontro com a misericórdia de Deus no sacramento da Confissão. Não se trata de atormentar a alma, mesmo que ela tenha errado, mas de libertá-la.

 

1º Mandamento. “Amar a Deus sobre todas as coisas”
“Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima nos céus, ou embaixo na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante dos ídolos, nem lhes prestarás culto.” (Ex 20,2-5; cf. Dt 5, 6-9)
“Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças.” (Dt 6,4-5)
“Pois está escrito: ‘Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele prestarás culto’.” (Mt 4,10)
“Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento.” (Mt 22,37-38)

Em resumo, o primeiro mandamento exige reconhecer Deus como o único Senhor e adorá-lo somente a ele, rejeitando toda forma de idolatria, superstição e ateísmo prático. Requer colocar Deus em primeiro lugar na própria vida, cultivando a fé, a esperança e a caridade para com ele, e evitar qualquer prática, criatura, valor ou ideologia que substitua ou diminua o culto devido ao único Deus verdadeiro.

1.1. Fé e amor a Deus
O coração da vida cristã é o relacionamento pessoal com Deus. Estas perguntas me ajudam a verificar se Deus está realmente em primeiro lugar na minha vida.
1. Eu realmente reconheço Deus como meu Senhor e Pai? Eu o amo com todo o meu coração, alma, mente e forças?
2. Negligenciei em conhecer melhor a minha fé, o Catecismo, o Credo dos Apóstolos, os Dez Mandamentos, os Sacramentos, o Pai Nosso?
3. Duvidei deliberadamente ou neguei algum dos ensinamentos da Igreja Católica?
4. Fui indiferente à minha fé, pensando que todas as religiões são iguais ou que se pode ser salvo em qualquer religião?
5. Odiei a Deus, ou me opus a Ele de alguma forma?
6. Tentei a Deus, dizendo-lhe, por exemplo: «Se me ajudares, acreditarei em ti»?
7. Presumi que Deus me salvará de qualquer maneira, mesmo sem conversão e sem mudar de vida?
8. Desesperei da misericórdia de Deus, pensando ser pecador demais para ser perdoado?
9. Abusei da misericórdia de Deus, continuando a pecar contando com o seu perdão?

1.2. Culto, oração e prática religiosa
A fé sem obras é morta. O relacionamento com Deus se expressa concretamente na oração, nos sacramentos e na participação na vida da Igreja.
10. Rezei com regularidade? Cultivei o relacionamento com Deus através da oração pessoal, da adoração e do sacrifício?
11. Omiti meus deveres e práticas religiosas por medo do julgamento dos outros ou por respeito humano?
12. Participei com respeito das cerimônias da Igreja no culto a Deus?
13. Honrei os santos e, em particular, a Virgem Maria?
14. Recebi os sacramentos de modo irreverente ou indigno? (por exemplo, a Comunhão em estado de pecado grave, ou a Confissão mal feita)
15. Cometi sacrilégios, ou seja, desonrei pessoas ou coisas consagradas a Deus? (os Sacramentos, as igrejas, as cruzes, os cemitérios, as pessoas consagradas)
16. Profanei objetos religiosos ou sagrados?
17. Comprei ou vendi objetos religiosos bentos?
18. Li conscientemente literatura herética, blasfema ou anticatólica?
19. Participei de cultos ou cerimônias anticatólicas?

1.3. Falsos ídolos e apegos desordenados
Não apenas as estátuas são ídolos. Tudo o que coloco no lugar de Deus – dinheiro, sucesso, prazer, o corpo – se torna um ídolo.
20. Dei importância demasiada ao dinheiro, ao poder, à glória, aos prazeres ou às coisas materiais, colocando-os no lugar de Deus?
21. Dei importância demasiada a alguma pessoa, atividade, objeto ou opinião, a ponto de torná-la mais importante do que Deus?
22. Idolatrei meu corpo, a perfeição física ou o sucesso esportivo, sacrificando tudo a eles como se fossem um valor absoluto?

1.4. Superstição, magia e práticas ocultas
A fé cristã exclui qualquer recurso a poderes que não vêm de Deus. As práticas listadas abaixo são incompatíveis com a vida cristã (cf. Dt 18,10-12; Jr 29,8).
23. Acreditei, consultei ou usei práticas supersticiosas ou mágicas, como: cartomancia, horóscopos, zodíaco, tarô, quiromantes, adivinhos, feiticeiros, magos, médiuns, espiritismo, necromancia, vodu, santeria, cabala, numerologia, xamanismo, alquimia, tábua Ouija, amuletos, talismãs, encantamentos, feitiços, maldições, sortilégios, exorcismos, «objetos com poderes», cristais ou pedras com propriedades mágicas, satanismo?
24. Aderi a grupos, técnicas ou movimentos que misturam a fé cristã com ideologias ou práticas esotéricas, como: Nova Era, reencarnação, método Silva, meditação transcendental, ocultismo, astrologia, viagens astrais, gnosticismo, dianética, sofrologia, radiestesia, teosofia, Hare Krishna, ioga com finalidades espirituais não cristãs, channeling (canalização de espíritos), I Ching, Tao, Feng Shui?
25. Pertenço a sociedades secretas incompatíveis com a fé católica, como a Maçonaria, os Illuminati, o Rosacrucianismo ou similares?

 

2º Mandamento. “Não tomar o seu santo nome em vão”
“Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão” (Ex 20,7; cf. Dt 5,11).
“Não jureis falso por meu nome. Não profanarás o nome de teu Deus.” (Lv 19,12).
“Não profaneis o meu santo nome, para que eu seja santificado no meio dos israelitas.” (Lv 22,32)
“E quem blasfemar o nome do Senhor será punido de morte.” (Lv 24,16)
“Ouvistes também que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. Ora, eu vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o apoio dos seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo.” (Mt 5,33-36)
“…Santificado seja o teu nome…” (Mt 6,9 – Pai Nosso)

Em resumo, o segundo mandamento exige tratar o nome de Deus com profundo respeito e veneração, rejeitando a blasfêmia e toda linguagem irreverente. Requer evitar juramentos falsos ou inúteis, pronunciar o nome de Deus somente com verdade e devoção, e santificá-lo tanto na oração quanto na vida cotidiana.

2.1. Blasfêmia e irreverência para com Deus e as coisas santas
A blasfêmia é o pecado mais direto contra este mandamento: ofende a Deus em seu nome, em seus atributos, em suas obras ou nas pessoas a Ele consagradas.
1. Blasfemei, ou seja, pronunciei palavras de ódio, insulto ou zombaria contra Deus, Jesus Cristo, a Virgem Maria ou os Santos? Fiz isso em público, diante de outros?
2. Proferi, interiormente ou em voz alta, palavras de ódio, de reprovação ou de desafio contra Deus?
3. Fiz afirmações falsas e ofensivas sobre Deus, como: «Deus não é justo», «Deus é cruel», «Deus se diverte com os sofrimentos dos homens», «Deus se esquece dos bons»?
4. Murmurei ou me queixei contra Deus, acusando-o dos meus problemas ou dos meus sofrimentos?
5. Pronunciei o nome de Deus, de Jesus, de Nossa Senhora ou dos Santos sem respeito, com raiva, zombaria ou de modo irreverente?
6. Usei o nome de Deus para outros fins que não para louvá-lo, bendizê-lo e glorificá-lo?
7. Tenho o hábito de dizer expressões como «oh Deus!», «meu Deus!» e similares, sem pensar no que digo?
8. Quando ouvi alguém blasfemar ou ofender a Deus, fiz ao menos internamente um ato de reparação?

2.2. Irreverência para com a Igreja, os sacramentos e as pessoas consagradas
O respeito devido a Deus se estende a tudo o que a Ele é consagrado: os sacramentos, a Igreja, seus ministros e suas cerimônias.
9. Tratei com irreverência, com palavras ou com ações, as coisas sagradas: as imagens, a Hóstia consagrada, os sacramentos, as cerimônias da Igreja?
10. Disse palavras irreverentes ou fiz piadas sobre Deus, sobre a Eucaristia, sobre a Virgem ou sobre os Santos?
11. Fiz piadas ou ridicularizei pessoas boas justamente por serem boas e praticantes?
12. Falei mal da Igreja, dos sacerdotes ou de coisas santas, sem fundamento e sem justa razão?
13. Propaguei ideias ou discursos contrários à religião?
14. Tive respeito humano ao mostrar minha fé, escondendo-a ou envergonhando-me dela diante dos outros?

2.3. Imprecações, maldições e palavras obscenas
Mesmo sem nomear Deus diretamente, certas palavras ferem a dignidade da pessoa e são contrárias ao respeito que devemos a Deus e ao próximo.
15. Usei imprecações ou maldições contra pessoas, animais ou coisas?
16. Usei palavras obscenas ou vulgares na linguagem cotidiana?
17. Fiz alguém se irritar a ponto de fazê-lo blasfemar ou praguejar contra Deus?

2.4. Juramentos ilícitos ou falsos
Jurar significa invocar Deus como testemunha da verdade do que se diz. Usar o juramento de modo leviano, falso ou para coisas más é um grave abuso do nome de Deus.
18. Fiz juramentos falsos, ou seja, jurei sobre algo que sabia ser falso ou do qual duvidava?
19. Cometi perjúrio, ou seja, fiz uma promessa com juramento sem ter a intenção de cumpri-la?
20. Jurei fazer algo mau, como me vingar ou fazer mal a alguém? (Nota: esses juramentos não obrigam e não devem ser cumpridos.)
21. Tenho o hábito de jurar sem refletir sobre o que juro, ou por coisas de pouca importância?
22. Disse execrações como: «Que Deus não me salve se não for verdade», «Se eu não fizer isso, que me aconteça um acidente», e similares?

2.5. Promessas e votos feitos a Deus
As promessas feitas a Deus ou em nome de Deus são um compromisso sério que envolve a honra divina. A violação delas é um pecado contra este mandamento.
23. Fiz promessas a Deus (votos) e depois não as cumpri, no todo ou em parte? (Se tenho algo pendente a esse respeito, digo ao confessor para avaliar se é oportuno modificar a obrigação.)
24. Fiz promessas a outras pessoas em nome de Deus e depois fui infiel a essas promessas, comprometendo a honra e a fidelidade que se devem a Deus?
25. Tentei reparar os danos que podem ter resultado dos meus juramentos não cumpridos ou falsos?

 

3º Mandamento. “Guardar os domingos e dias santos”
“No sétimo dia, Deus concluiu toda a obra que havia feito e no sétimo dia repousou de toda obra que fizera. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nesse dia Deus repousou de toda a obra da criação.” (Gn 2,2-3)
“Lembra-te de santificar o dia do sábado, para o santificar. Trabalharás durante seis dias e farás todos os trabalhos; mas o sétimo dia é sábado, descanso dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades.” (Ex 20,8-10; cf. Dt 5,12-15)

Em resumo, o terceiro mandamento exige santificar o dia do Senhor, um tempo especial dedicado somente a Deus, participando da Eucaristia dominical e abstendo-se dos trabalhos servis que impedem o descanso, a oração e a vida familiar. Requer reconhecer no dia do Senhor o sinal da aliança entre Deus e seu povo, dedicando-o ao culto, ao descanso e às obras de misericórdia.

3.1. A Santa Missa dominical e festiva
O coração do Terceiro Mandamento é a participação na Santa Missa aos domingos e nos dias de preceito. Faltar sem justa causa é pecado grave.
1. Participei da Santa Missa todos os domingos e nos dias festivos de preceito? Se faltei, foi por uma causa verdadeiramente séria e justificada?
2. Fui a causa de outros não irem à Missa ou trabalharem sem necessidade em dia de festa?
3. Cheguei atrasado à Missa por minha culpa? (Quem chega antes do Evangelho cumpre o preceito, mas o atraso voluntário já é uma falta.)
4. Participei da Missa com atenção e devoção, ou assisti com indiferença, com o coração e a mente em outro lugar?
5. Conversei ou distraí os outros durante a cerimônia religiosa?
6. Mantive o jejum de pelo menos uma hora antes de receber a Comunhão?
7. Comportei-me de modo irreverente na igreja: conversando, vestindo-me de modo imodesto ou mantendo um comportamento incorreto?

3.2. O descanso e a santificação do dia de festa
O domingo não é apenas um dia livre: é o Dia do Senhor. Deve ser santificado evitando os trabalhos desnecessários e dedicando tempo a Deus, à família e às boas obras.
8. Transformei o domingo em um simples dia de lazer – esporte, turismo, compras, diversão – esquecendo que é o Dia do Senhor?
9. Trabalhei sem necessidade urgente em dia de festa por um tempo considerável (mais de duas horas, aproximadamente)? Obtive um ganho material ou fiz coisas que poderiam ter sido feitas em outro dia?
10. Fiz outros trabalharem sem necessidade em dia de festa, ordenando, aconselhando ou não impedindo, mesmo tendo a possibilidade?
11. Comprei ou vendi coisas não necessárias em dia de festa, sem uma justa causa?
12. Santifiquei o domingo dedicando tempo à oração, à leitura das Sagradas Escrituras, à meditação, às obras de caridade ou ao apostolado?

3.3. A oração pessoal diária
Além da Missa festiva, o cristão é chamado a nutrir a cada dia o relacionamento com Deus através da oração. A oração apressada ou por puro hábito é uma forma de tibieza espiritual.
13. Rezei com regularidade todos os dias, pelo menos de manhã e à noite, ou negligenciei completamente a oração diária?
14. Rezei apressadamente, distraidamente e por pura rotina, sem recolhimento nem atenção?
15. Confio-me diariamente a Deus, colocando meu dia em suas mãos, ou vivo como se Deus não existisse?

 

4º Mandamento. “Honrar pai e mãe”
“Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará.” (Ex 20,12)
“Cada um de vós reverencie sua mãe e seu pai.” (Lv 19,3)
“Honra teu pai e tua mãe, como o Senhor teu Deus te ordenou, para que vivas por longos anos e sejas feliz na terra que o Senhor teu Deus te dará.” (Dt 5,16)
“Aceita, filho, a disciplina de teu pai e não desprezes a instrução de tua mãe.” (Pr 1,8)
“Escuta teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe envelhecida.” (Pr 23,22)
“Quem honra o pai intercederá pelos pecados. Quem respeita sua mãe é como alguém que ajunta tesouros.” (Eclo 3,3-4)
“Filho, ampara a velhice de teu pai e não lhe causes desgosto enquanto vive. Mesmo que esteja perdendo a lucidez, sê tolerante com ele e não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida.” (Eclo 3,12-13)
“Deus disse: ‘Honra pai e mãe’, e também: Quem insulta pai ou mãe deve morrer.” (Mt 15,4)
“[Jesus] … era obediente a eles.” (Lc 2,51)
“Filhos, obedecei a vossos pais, no Senhor, pois isto é de justiça. Honra teu pai e tua mãe! – este é o primeiro mandamento que vem acompanhado de uma promessa – a fim de que sejas feliz e tenhas longa vida sobre a terra.” (Ef 6,1-3)
“Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isto agrada ao Senhor.” (Cl 3,20)

Em resumo, o quarto mandamento exige honrar os pais com respeito, gratidão e obediência, cuidando deles na velhice e na necessidade. Exige valorizar a família como a primeira e fundamental comunidade educativa, e estende o respeito devido aos pais também às autoridades legítimas e à comunidade civil e social.

PARTE A: Exame como FILHOS em relação aos pais
4.A1. Ofensas graves contra os pais

As faltas mais sérias são aquelas que atingem diretamente a dignidade e a integridade dos pais.
1. Levantei as mãos contra meus pais, ou os ameacei ou maltratei com palavras ou atos?
2. Desejei-lhes a morte ou algum mal grave, talvez para obter liberdade, herança ou para poder me casar?
3. Insultei-os, ofendi-os ou tratei-os com palavras desrespeitosas que os fazem sofrer?
4. Desobedeci-lhes em coisas importantes?

4.A2. Respeito e relacionamento cotidiano
Mesmo sem chegar às ofensas graves, há atitudes cotidianas que revelam falta de respeito e amor para com os pais.
5. Respondi mal aos meus pais ou os tratei com arrogância e desprezo?
6. Murmurei sobre eles na sua ausência ou falei mal deles com outros?
7. Tive vergonha deles ou os repreendi publicamente?
8. Tive aversão ou hostilidade em relação a eles?
9. Tive um desejo excessivo de independência, recebendo mal qualquer indicação ou correção que vinha deles só porque vinha deles? Percebo que essa reação muitas vezes nasce da soberba?
10. Deixo-me levar pelo mau humor e fico com raiva deles sem motivo válido?

4.A3. Cuidado concreto e afeto
Honrar os pais não é apenas não os ofender: significa também amá-los concretamente, especialmente quando estão idosos, doentes ou necessitados.
11. Cuidei das necessidades materiais e espirituais dos meus pais, sobretudo se idosos, doentes ou em dificuldade? Ou os abandonei à própria sorte?
12. Mostrei sincera gratidão por tudo o que fizeram por mim – dar-me a vida, criar-me, educar-me – mesmo que nem tudo tenha sido perfeito?
13. Amei-os de verdade, ajudando-os, rezando por eles e suportando seus limites e erros com paciência?
14. Na morte e nos funerais deles, cumpri os deveres filiais, incluindo respeitar suas últimas vontades e seu testamento?

4.A4. Vida familiar e convivência
O quarto mandamento também diz respeito ao clima que se cria em casa: a paz, a colaboração e a comunhão familiar são responsabilidade de todos.
15. Colaboro com as tarefas de casa e compartilho a vida com meus familiares, ou me limito a conviver sob o mesmo teto sem verdadeira participação?
16. Contribuo para a serenidade e a alegria da minha família com paciência e amor, ou crio tensões e conflitos?
17. Respeito as figuras de autoridade às quais estou submetido – superiores, empregadores, instituições – reconhecendo nelas uma forma de autoridade que vem de Deus (cf. Rm 13,1-2)?

PARTE B: Exame como PAIS em relação aos filhos
4.B1. Ofensas e maus-tratos contra os filhos

Também contra os próprios filhos se podem cometer graves injustiças. A autoridade parental não autoriza os maus-tratos.
18. Ameacei ou maltratei meus filhos com palavras ou atos, ou desejei-lhes algum mal?
19. Abandonei parcial ou totalmente minhas responsabilidades para com meus filhos – ou para com meu cônjuge – deixando-os sem cuidado e apoio?
20. Briguei com meu cônjuge de modo violento ou desrespeitoso na frente dos filhos, escandalizando-os?

4.B2. Educação religiosa e moral
O primeiro dever dos pais é transmitir a fé. Negligenciar isso é uma das faltas mais graves contra este mandamento.
21. Negligenciei em batizar meus filhos em tempo razoável após o nascimento (dentro de 1-2 meses)?
22. Cumpri minha responsabilidade de educar os filhos na fé desde a primeira idade, ensinando-lhes as verdades cristãs e testemunhando o Evangelho com a minha vida?
23. Permiti que meus filhos negligenciassem suas obrigações religiosas, como a Missa, os sacramentos, a oração?
24. Dei mau exemplo aos meus filhos, não cumprindo eu mesmo os deveres religiosos, familiares ou profissionais?
25. Preocupo-me constantemente com a formação espiritual e religiosa deles, ou a delego completamente a outros?
26. Rezo junto com a minha família?
27. Escolhi para meus filhos uma escola que realmente ajude a educá-los de modo cristão, ou sou indiferente a isso?

4.B3. Correção, autoridade e orientação
Corrigir os filhos é um ato de amor. Fazê-lo por motivos egoístas – ou não fazê-lo por comodidade – é uma falta ao próprio dever.
28. Corrigi meus filhos com firmeza, justiça e amor para o bem deles, ou os deixei fazer o que quisessem por comodidade?
29. Quando os corrijo, faço-o realmente para o bem deles, ou me deixo guiar pelo egoísmo, pela vaidade ou pelo incômodo pessoal?
30. Abusei da minha autoridade, forçando-os a receber os sacramentos sem as devidas disposições interiores, por razões de aparência?
31. Fortaleci a autoridade do meu cônjuge diante dos filhos, evitando repreendê-lo, contradizê-lo ou diminuí-lo na presença deles?
32. Impedi meus filhos de seguir a profissão ou a vocação a que Deus os chama, atrapalhando-os ou aconselhando-os mal por razões egoístas ou de vaidade?

4.B4. Vigilância e proteção
Os pais têm o dever de proteger seus filhos dos perigos morais e físicos, com prudência e sem excessos.
33. Adverti e instruí meus filhos sobre as más companhias e os perigos morais que podem encontrar?
34. Tolerei em casa escândalos, perigos morais ou situações de risco para meus filhos?
35. Permiti que meus filhos frequentassem lugares, ambientes ou situações em que sua alma ou seu corpo corriam perigo?
36. Vigiei com prudência os encontros entre rapazes e moças em minha casa, sem, no entanto, sufocar sua legítima liberdade?
37. Permiti que meus filhos usassem roupas imodestas ou provocantes, sem intervir?
38. Cuido das amizades, dos jogos, das diversões e das leituras dos meus filhos?
39. Permiti um namoro sem perspectivas de casamento em tempo razoável, deixando que se prolongasse indefinidamente?

4.B5. Clima familiar e relacionamento com os filhos
Ser pai ou mãe não é apenas corrigir e proteger: é também criar um clima de confiança, afeto e familiaridade em que os filhos possam crescer serenamente.
40. Procuro ser amigo dos meus filhos, criando um clima de confiança e familiaridade, ou mantenho uma atitude que bloqueia todo diálogo?
41. Evito criar conflitos por questões de pouca importância, abordando-as com senso de perspectiva e um pouco de humor?
42. Fico com raiva facilmente em família, usando tons que nunca usaria com estranhos?
43. Reclamo diante da família do peso das responsabilidades domésticas, em vez de vivê-lo com espírito de serviço?
44. Sacrifico meus gostos pessoais e minhas diversões quando necessário para cumprir meus deveres para com a família?
45. Expliquei aos meus filhos a origem da vida de modo gradual, adequado à sua idade e à sua capacidade de compreensão, antecipando com delicadeza sua curiosidade natural?

4.B6. Necessidades materiais e sustento da família
Prover às necessidades materiais da família é um dever preciso, que exige senso de responsabilidade e espírito de sacrifício.
46. Procurei ganhar o suficiente para sustentar dignamente minha família, sem desperdícios inúteis?
47. Negligenciei as necessidades materiais dos meus filhos ou dos meus familiares que dependem de mim?
48. Deixei de ajudar nas necessidades espirituais ou materiais as pessoas queridas, mesmo podendo fazê-lo com algum sacrifício?

 

5º Mandamento. “Não matar”
“Do solo está clamando por mim a voz do sangue do teu irmão!” (Gn 4,10)
“Não cometerás homicídio” (Ex 20,13; Dt 5,17).
“Seis coisas detesta o Senhor, e uma sétima sua alma abomina: … mãos que derramam sangue inocente.” (Pr 6,17)
“Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não cometerás homicídio! Quem cometer homicídio deverá responder no tribunal’. Ora, eu vos digo: todo aquele que tratar seu irmão com raiva deverá responder no tribunal; quem disser a seu irmão ‘imbecil’ deverá responder perante o sinédrio; quem chamar seu irmão de ‘louco’ poderá ser condenado ao fogo do inferno.” (Mt 5,21-22)
“Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida” (1Jo 3,15)

Em resumo, o quinto mandamento exige respeitar e proteger a vida humana em todas as suas formas e em todas as suas fases, desde a concepção até a morte natural, rejeitando o homicídio, a violência e toda forma de ódio. Exige promover ativamente a paz e a reconciliação, e defender em toda circunstância a dignidade inviolável da pessoa. Diz respeito não apenas às ações, mas também aos pensamentos, desejos, palavras e omissões. Só Deus dá a vida e só Ele pode tirá-la: tirar uma vida humana usurpa um direito que pertence somente a Deus, e é um pecado que clama vingança diante d’Ele. Somos administradores, não proprietários, da vida que Deus nos confiou.

5.1. Aborto, eutanásia e homicídio
São os pecados mais graves contra este mandamento. Quem provoca um aborto incorre na excomunhão automática (ipso facto). A eutanásia, mesmo que apresentada como ato de piedade, é sempre um homicídio.
1. Matei um filho provocando um aborto, ou ajudei, aconselhei, financiei ou encorajei alguém a fazê-lo? (incorre-se na excomunhão ipso facto!)
2. Pratiquei a eutanásia – isto é, pus fim à vida de uma pessoa doente, com deficiência ou moribunda – ou ajudei, consenti ou desejei que fosse feito, por ação ou por omissão?
3. Contribuí para antecipar a morte de um doente com o pretexto de poupar-lhe sofrimentos, sabendo que se tratava de um homicídio?
4. Cometi, ajudei, consenti ou desejei um homicídio, voluntário ou involuntário? Causei a morte de alguém fazendo – ou omitindo – algo que deveria ter feito ou evitado?
5. Participei direta ou indiretamente de algo em que uma pessoa foi morta, sem fazer tudo o que era possível para impedi-lo?
6. Participei de sequestros, atos de terrorismo ou torturas?
7. Participei de amputações, mutilações ou esterilizações forçadas de pessoas inocentes?
8. Fiz algo deliberado a alguém com a intenção de provocar indiretamente sua morte?

5.2. Suicídio e autolesão
A própria vida também nos é confiada por Deus e não nos pertence. Atentar contra ela é uma grave desordem moral.
9. Pensei, desejei ou tentei tirar a minha vida? Colaborei voluntariamente com o suicídio de alguém?
10. Fiz mal a mim mesmo fisicamente, ou me amaldiçoei?
11. Submeti-me a mutilações voluntárias como método de esterilização (ligadura de trompas, vasectomia, etc.)?

5.3. Violência física e lesões
Toda forma de violência física contra o próximo viola sua dignidade e a integridade do corpo, que pertence a Deus.
12. Bati, feri ou causei lesões físicas a alguém?
13. Oprimi, maltratei ou usei de violência contra alguém, especialmente contra os mais fracos?
14. Aproveitei-me da fraqueza alheia para bater ou humilhar alguém fisicamente?
15. Participei, incentivei ou encorajei brigas ou rixas?
16. Coloquei em perigo a minha vida ou a dos outros: dirigindo de modo imprudente, praticando esportes radicais sem necessidade, ou de qualquer outra forma evitável?

5.4. Ódio, rancor e desejo de vingança
O homicídio muitas vezes nasce no coração. Jesus adverte que até o ódio ao irmão já é uma forma de homicídio interior.
17. Cultivei no coração sentimentos de ódio, rancor, ressentimento ou inimizade contra alguém?
18. Desejei a morte, a doença ou algum mal grave a alguém?
19. Vinguei-me ou alimentei desejos de vingança?
20. Deixei de falar com alguém, recusando-me a reconciliar-me ou a fazer o possível para isso?
21. Entristeci-me com a prosperidade alheia, ou alegrei-me com a sua desgraça?

5.5. Ofensas, insultos e maus-tratos verbais
As palavras podem matar a dignidade de uma pessoa. Esta lista vai do mais grave ao menos grave.
22. Amaldiçoei alguém, desejando-lhe explicitamente o mal?
23. Insultei ou injuriei alguém, usando palavras ofensivas e humilhantes?
24. Usei palavras duras, cruéis ou violentas ao tratar os outros?
25. Oprimi alguém com atitudes de prepotência, intimidação ou dominação?
26. Desprezei alguém, especialmente os pobres, os fracos, os idosos, os estrangeiros ou pessoas de outras raças?
27. Zombei ou ridicularizei alguém, ferindo-o em sua dignidade?
28. Critiquei, incomodei ou tirei sarro dos outros?
29. Dei apelidos ofensivos a alguém?
30. Recusei-me a dirigir a palavra a alguém por rancor ou como punição?
31. Briguei frequentemente ou sem motivo válido? Alimentei conflitos, brigas ou inimizades entre outros?

5.6. Murmurações, fofocas e escândalo
O escândalo é a atitude ou o comportamento que leva outro a fazer o mal. Quem escandaliza torna-se tentador do próximo e pode causar sua morte espiritual.
32. Falei mal de alguém, contando seus defeitos ou seus erros a quem não tinha necessidade de saber (murmuração)?
33. Espalhei fofocas ou notícias negativas sobre os outros, semeando discórdia?
34. Causei inimizade ou divisão entre pessoas?
35. Escandalizei alguém com minhas palavras, minhas ações, meu modo de vestir ou meu estilo de vida, induzindo-o a pecar gravemente?
36. Ensinei alguém a pecar, ou o encorajei, ajudei ou aconselhei a fazê-lo?
37. Elogiei o pecado de alguém, em vez de corrigi-lo caridosamente?
38. Zombei de pessoas virtuosas, ou fui a causa de alguém abandonar uma vida regrada e devota?
39. Causei dano à minha alma expondo-me voluntariamente e sem necessidade às tentações: más leituras, imagens, vídeos, música com mensagens violentas ou contrárias aos valores cristãos?
40. Causei dano espiritual a outros, especialmente a crianças, com o meu mau exemplo?

5.7. Omissões: falta de socorro e abandono
O mandamento proíbe não só fazer o mal, mas também omitir o bem que se devia fazer. Não socorrer quem está em perigo já é uma culpa.
41. Recusei-me a socorrer alguém que se encontrava em perigo de vida ou em grave necessidade?
42. Negligenciei em ajudar o próximo quando a caridade me exigia: na esmola, na doença, no trabalho ou em qualquer outra necessidade?
43. Avisei quem de direito (um pai, um superior, um juiz) quando tinha conhecimento de um escândalo ou de um perigo que poderia ser remediado?
44. Esforço-me de verdade para amar os outros como a mim mesmo, reconhecendo em cada pessoa alguém que Deus ama?

5.8. Cuidado com a própria saúde
O corpo é um dom de Deus. Negligenciá-lo ou arruiná-lo deliberadamente é uma falta contra este mandamento.
45. Usei drogas, ou as produzi, vendi ou forneci a outros?
46. Embriaguei-me até perder a razão ou o controle de mim mesmo?
47. Abusei de comida ou álcool, arruinando minha saúde?
48. Negligenciei minha saúde física, não providenciando para mim a comida, as roupas ou os cuidados necessários?
49. Coloquei em perigo minha saúde mental e espiritual, expondo-me voluntariamente a músicas, imagens ou conteúdos que contêm mensagens de violência, rebelião ou que incitam ao mal?

 

6º Mandamento. “Não pecar contra a castidade”
“Por isso o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne” (Gn 2,24)
“Então o Senhor disse: «O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu, e agravou-se muito o seu pecado.” (Gn 18,20)
“O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e sobre Gomorra. Destruiu as cidades e toda a região, junto com os habitantes das cidades e até a vegetação do solo.” (Gn 19,24)
“Mas Onã sabia que o filho não seria seu; por isso, quando se juntava à mulher do irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência ao irmão. O proceder de Onã desagradou ao Senhor, que o fez morrer também.” (Gn 38,9-10)
“Não cometerás adultério” (Ex 20,14; Dt 5,18).
“Por isso deixará o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne.” (Gn 2,24)
“Quem, porém, comete adultério está louco: perde sua vida quem faz tal coisa.” (Pr 6,32)
“Felizes os puros no coração, porque verão a Deus.” (Mt 5,8)
“Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Ora, eu vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração.” (Mt 5, 27-28).
“Ora, eu vos digo: quem despede sua mulher – fora o caso de união ilícita – e se casa com outra, comete adultério” (Mt 19,9)
“Fugi da devassidão. Em geral, todo pecado que uma pessoa venha a cometer é exterior ao seu corpo. Mas quem pratica a imoralidade sexual peca contra seu próprio corpo. Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus? Ignorais que não pertenceis a vós mesmos? De fato, fostes comprados, e por preço muito alto! Então glorificai a Deus no vosso corpo!” (1Cor 6,18-20)
“A vontade de Deus é que sejais santos e que vos afasteis da imoralidade sexual. Saiba cada um de vós viver seu matrimônio com santidade e com honra, sem se deixar levar pelas paixões, como fazem os pagãos que não conhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique ou lese o irmão, pois o Senhor é vingador de todas estas coisas, como já vos dissemos e atestamos. Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.” (1Ts 4,3-7)
“O matrimônio seja honrado por todos, e o leito conjugal, sem mancha, pois Deus julgará os libertinos e os adúlteros.” (Hb 13,4)

Em resumo, o sexto mandamento exige viver a fidelidade conjugal e a pureza do coração e do corpo, respeitando a dignidade humana como um dom de Deus. Requer que se valorize o matrimônio como uma aliança estável e indissolúvel entre homem e mulher, ordenada ao amor recíproco e à transmissão da vida.
Este mandamento diz respeito aos pecados de pensamento, palavra e obra. A tentação não é pecado, mas consentir voluntariamente nela, sim. Com «ato impuro», a moral entende não apenas o ato sexual, mas tudo o que provoca um prazer ilícito. Alguns pecados nesta matéria existem mesmo sem uma intenção explícita.

Os vários tipos de pecados que ofendem este mandamento devem ser mencionados na confissão. Nem todos têm a mesma gravidade. Aqui estão algumas definições para esclarecê-los.

Fornicação – relação sexual entre pessoas não casadas ou viúvas. (CIC 2353: «A fornicação é a união carnal entre um homem e uma mulher livres, fora do matrimônio».)
Concubinato, união ilegítima, união livre, ou seja, coabitação sem casamento, more uxório [como marido e mulher] – convivências ou relações sexuais sem o vínculo matrimonial sacramental. É fornicação.
Adultério – relação sexual de uma pessoa casada com alguém que não é seu cônjuge. Implica também o pecado de infidelidade conjugal. Se ambos são casados, é mais grave. Se a relação sexual ocorre no chamado ‘swing’ ou em orgias (relações sexuais em grupo), o pecado é ainda mais grave. (CIC 2380-2381: Explicitamente proibido pelo mandamento.)
Divórcio, seguido de “novo casamento” – embora o divórcio civil não seja em si um pecado (às vezes é necessário para proteger direitos legais ou a segurança), contrair uma nova união enquanto o cônjuge anterior ainda está vivo é adultério, porque o vínculo sacramental é indissolúvel.
Poligamia – ter mais de um cônjuge ao mesmo tempo.
Incesto – relação sexual entre parentes em linha reta (pais-filhos) ou entre irmãos/irmãs, ou consanguíneos até o 4º grau, para os quais o casamento é proibido. (CIC 2388: «Deforma a estrutura familiar».)
Sacrilégio – relações sexuais em lugares sagrados ou por causa da pessoa, se ela fez voto de castidade.
Contracepção artificial – uso de métodos artificiais para impedir a procriação no ato conjugal, como coito interrompido (ver Gn 38,9-10), preservativos, medicamentos, esterilização temporária, esterilização definitiva (laqueadura, vasectomia), métodos contraceptivos microabortivos que forçam o embrião já fecundado a sair do útero. (CIC 2370: «Intrinsecamente má» – pecado contra o sexto mandamento se separa o aspecto unitivo do procriativo.)
Fecundação artificial heteróloga – Inseminação com gametas de terceiros. (CIC 2377: «Contrária à unidade do matrimônio».)
Toques impuros – consigo mesmo ou com outros, mesmo que não lascivos, especialmente nos órgãos genitais, com o objetivo de provocar prazer ou induzir ao ato sexual.
Masturbação – excitação voluntária dos órgãos genitais para obter prazer venéreo com ou sem efusão de fluidos. (CIC 2352: «Grave desordem».)
Estupro ou violência sexual – penetração sexual obtida com engano, ameaça ou violência. É um pecado gravíssimo. É contra a justiça e a caridade, além de ser contra a castidade. (CIC 2356: «Intrinsecamente mau».)
Bestialidade – relação sexual com um animal.
Ato homossexual – relação sexual perversa com um indivíduo do mesmo sexo. (CIC 2357: «Intrinsecamente desordenados».)
Perversidade – outros atos contra a natureza entre indivíduos do mesmo sexo ou de sexos diferentes, inclusive entre cônjuges por vas indebitum, como sodomia e sexo oral.
Pedofilia – atos sexuais com crianças ou adolescentes, independentemente do sexo. É uma das formas mais graves de violência sexual, porque é cometida contra pessoas vulneráveis, abusando de um poder e de uma confiança. (CIC 2389: Associado a incesto ou violência.)
Pornografia – pecado contra a modéstia. Produção, difusão ou consumo de material que representa atos sexuais de modo a excitar. (CIC 2354: «Ofende a castidade».)
Exibicionismo – pecado contra a modéstia. Exposição dos genitais em locais públicos, nudez intencional diante de estranhos, atos sexuais realizados onde podem ser vistos por outros, envio não solicitado de imagens íntimas, como “sexting” [envio de imagem e texto] não consensual.
Voyeurismo – pecado contra a modéstia. Ato de observar secretamente pessoas nuas, que se despem ou que praticam atos sexuais, sem o seu consentimento, com o objetivo de obter gratificação sexual.
Vestuário imodesto intencional, provocador – pecado contra a modéstia. Uso de roupas íntimas com o propósito de excitação própria, ou uso de roupas visíveis com o propósito de excitação pessoal e alheia. Mesmo que o vestuário imodesto não seja intencional (como roupas muito curtas usadas no verão), pode produzir efeito nos outros (desejos, perturbações, excitações más), por isso continua sendo um pecado.
Prostituição – prática de relações sexuais mediante pagamento; compra e venda de atos sexuais. (CIC 2355: «Gravemente contrária à dignidade da pessoa».)
Tráfico sexual – uma forma de tráfico de seres humanos em que uma pessoa é recrutada, transportada, transferida, alojada ou acolhida por meio de coerção, engano, abuso de vulnerabilidade ou violência, com o objetivo de explorá-la sexualmente.
Exploração sexual – qualquer forma de utilização do corpo de uma pessoa para obter uma vantagem de natureza sexual, econômica ou de outro tipo, sem o seu consentimento pleno e livre, ou aproveitando-se de sua vulnerabilidade.
Abuso sexual – qualquer ato ou comportamento de caráter sexual imposto a uma pessoa sem o seu consentimento livre e informado, ou quando a pessoa não é capaz de dar um consentimento válido (como no caso de menores, pessoas com deficiências cognitivas, estado de inconsciência, coerção ou forte pressão psicológica).
Assédio sexual – investidas ou pedidos sexuais indesejados, frequentes em um contexto de trabalho ou de dependência.

6.1. Pensamentos, desejos e fantasia
Há diferença entre vir à mente um mau pensamento (não é pecado) e comprazer-se voluntariamente nele, cultivando-o (é pecado). Esta distinção é fundamental.
1. Quando me veio um pensamento, uma lembrança, uma imagem ou uma fantasia impura, eu me comprazi voluntariamente, continuando a guardá-lo e cultivá-lo? Ou o rejeitei desde o início?
2. Eu trouxe intencionalmente à memória lembranças ou pensamentos impuros?
3. Consenti em olhares ou desejos impuros por outra pessoa, ou desejei conscientemente ver ou fazer algo impuro?
4. Negligenciei o controle da minha imaginação, deixando-a vagar livremente por coisas impuras?
5. Vangloriei-me dos meus pecados nesta matéria, ou me deleitei na lembrança complacente de pecados passados?

6.2. Olhares, palavras e gestos
Os sentidos são as portas da consciência. O que os olhos procuram, o que a boca diz e os gestos do corpo revelam e alimentam o estado interior.
6. Olhei para pessoas com desejo sexual ilícito (concupiscência)?
7. Usei palavras vulgares, obscenas ou sexualmente explícitas? Contei ou ouvi piadas de conotação sexual? Cantei canções desonestas?
8. Fiz gestos obscenos ou indecentes?
9. Com meu modo de olhar, falar, gesticular ou andar, tentei provocar ou excitar os outros, em vez de me comportar com pudor e modéstia?
10. Percebo que seduzir os outros com minha aparência é um convite para ser idolatrado, e não um ato de amor para com eles?

6.3. Vestuário e modéstia
A modéstia no vestir não é uma questão de moda, mas um ato de respeito por si mesmo e pelos outros.
11. Vesti roupas apertadas, transparentes ou indecentes, tornando-me assim ocasião de pecado para os outros?
12. Fui modesto ao me vestir e despir?
13. Seduzi ou desonrei alguma pessoa inocente?
14. Compreendo que o cuidado com os detalhes da modéstia é uma salvaguarda importante para a pureza, ou os considero tolices insignificantes?

6.4. Leituras, espetáculos e conteúdos de mídia
O que introduzimos na mente através dos olhos e dos ouvidos forma nossa fantasia e nossos desejos.
15. Leio ou assisto a material impuro: revistas, livros, imagens, vídeos, filmes pornográficos ou obscenos?
16. Tenho em casa pôsteres, imagens ou estátuas de caráter imoral ou obsceno?
17. Antes de assistir a um espetáculo ou ler um livro, informo-me sobre sua qualidade moral para evitar me colocar em perigo de pecado e de deformar minha consciência?
18. Coloco-me voluntariamente em situações de risco – certos lugares, espetáculos, sites da internet, programas de televisão – que sei serem ocasiões de pecado?

6.5. Toques, intimidade e comportamentos físicos
O corpo é templo do Espírito Santo. A maneira como o tratamos e usamos tem um peso moral preciso.
19. Toquei, acariciei, abracei ou beijei outra pessoa de modo impuro?
20. Comprazi-me na sensualidade, no autoerotismo ou no gozo do prazer sexual fora do casamento?
21. Cometi atos desonestos, obscenos ou imorais com outra pessoa?
22. Fiz tatuagens ou incisões de caráter imoral?

6.6. Companhias, amizades e frequentação
As pessoas que frequentamos e os lugares que visitamos influenciam profundamente nossa vida moral.
23. Fiz amizade com pessoas de vida dissoluta ou frequentei lugares de moralidade duvidosa?
24. Fui excessivamente íntimo, física ou emocionalmente, com pessoas do sexo oposto fora do casamento?
25. Eliminei as ocasiões que me levam ao pecado nesta matéria: o abuso de álcool ou comida, o uso de drogas, a preguiça, o ócio, as más amizades?
26. Refreei minhas paixões, ou me deixo dominar por elas sem lutar?

6.7. Noivado e relações afetivas
O noivado é um tempo para aprofundar o afeto e o conhecimento mútuo, não para satisfazer o desejo de posse ou prazer.
27. No noivado, vivo o afeto de modo casto, ou sou causa de pecado para a outra pessoa?
28. Minhas relações afetivas são inspiradas pelo espírito de doação, respeito e delicadeza, ou pelo desejo de posse e prazer egoísta?
29. Compreendo que qualquer prazer carnal plenamente sentido e livremente consentido fora do casamento é pecado grave?

6.8. Remédios e meios para viver a pureza
A pureza não se resume a evitar o pecado: é um estilo de vida que se constrói ativamente com meios concretos, naturais e sobrenaturais.
30. Usei meios naturais para guardar a pureza: a disciplina dos olhos e da imaginação, o controle dos afetos, evitar situações excitantes?
31. Rezei imediatamente para afastar os maus pensamentos e as tentações, em vez de me demorar neles?
32. Usei os meios sobrenaturais: a frequência dos sacramentos da Confissão e da Comunhão, a devoção à Virgem Maria, a meditação sobre a Paixão de Cristo, a consciência de que meu corpo é templo do Espírito Santo?
33. Se tenho tendências homossexuais, procurei viver a castidade com a ajuda da oração, dos sacramentos e do domínio de si, unindo minhas dificuldades ao sacrifício da Cruz?
34. Percebo que a impureza vivida sem freios tem consequências graves: enfraquece a inteligência, arruína o corpo, faz perder a graça santificante e pode afastar da fé?

 

7º Mandamento. “Não furtar”
“Não furtarás” (Ex 20,15; Dt 5,19).
“Não furteis; não digais mentiras, nem vos enganeis uns aos outros.” (Lv 19,11)
“Não explores o teu próximo, nem pratiques extorsão contra ele.” (Lv 19,13)
“Escutai, os que esmagais o pobre, que excluís os humilhados do país! «Quando vai passar a festa da lua nova – dizeis –, para negociarmos a mercadoria? Quando vai passar o sábado, para expormos o trigo, diminuir as medidas, aumentar o peso, utilizar balanças mentirosas, comprar o fraco com dinheiro, o indigente por um par de sandálias, para negociarmos até o farelo do trigo»”. (Am 8,4-6)
“Acaso posso tolerar medidas falsas, a arroba diminuída, um horror!? Posso desculpar balanças falsas, sacolas cheias de pesos adulterados?” (Mq 6,10-11)

“Não roubarás” (Mt 19,18)
“O que roubava não roube mais; pelo contrário, se afadigue num trabalho manual honesto, de maneira que sempre tenha alguma coisa para dar aos necessitados.” (Ef 4,28)
“Porventura ignorais que os injustos não terão parte no reino de Deus? Não vos iludais: os libertinos, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, os ladrões, gananciosos, beberrões, maldizentes, estelionatários, ninguém desses terá parte no reino de Deus.” (1Cor 6,9-10)

Em resumo, o sétimo mandamento exige o respeito aos bens e à propriedade alheia, rejeitando o roubo, a fraude, a corrupção e toda forma de injustiça econômica. Requer a prática da justiça nas relações de trabalho e na vida social, e o exercício da caridade através da partilha com os pobres e necessitados. O pecado de roubo e de dano não é perdoado até que se restitua ou se repare o mal feito. A Confissão obtém o perdão, mas com a obrigação de reparar o mais rápido possível.

7.1. Furto, roubo e apropriação indébita
São as formas mais diretas de violação deste mandamento. A gravidade aumenta se o furto é feito com violência, em detrimento de pessoas pobres ou em lugares sagrados.
1. Roubei alguma coisa? O furto foi cometido com violência (roubo), em detrimento de uma pessoa pobre, em um lugar sagrado, ou com outras circunstâncias agravantes?
2. Peguei, retive ou subtraí injustamente bens alheios contra a vontade do proprietário, de qualquer modo?
3. Ganhei dinheiro com meios ilícitos ou desonestos?
4. Comprei ou vendi coisas que sabia serem roubadas?
5. Ganhei em jogos com truques ou trapaças, causando dano a outros?
6. Apostei de modo injusto ou trapaceei em jogos de azar?
7. Tenho consciência de que roubar pequenas coisas de modo constante e repetido pode se tornar um pecado grave por acúmulo?

7.2. Fraude, engano e corrupção
Não existe apenas o furto direto: pode-se roubar também através do engano, da trapaça e da corrupção. Todas essas formas lesam a justiça e a confiança.
8. Fraudei, enganei ou trapaceei alguém em um negócio, uma compra e venda ou um contrato, escondendo defeitos ou usando o engano?
9. Vendi com pesos ou medidas falsas, ou adulterei ou misturei o que vendia para obter mais lucro?
10. Aumentei os preços especulando sobre a ignorância ou a necessidade alheia?
11. Aproveitei-me da ignorância, da fraqueza ou da distração alheia para obter uma vantagem injusta?
12. Participei de alguma forma de atos de corrupção, tentando mudar o modo correto de agir para o que mais me convinha?
13. Recebi propinas, presentes ou favores indevidos, ligados ao meu cargo ou à minha profissão?
14. Deixei de cumprir, sem justa causa, contratos comerciais, de compra ou venda, de aluguel ou de trabalho, que me obrigavam?

7.3. Injustiças no trabalho e nos salários
O trabalho é um âmbito no qual a justiça pode ser violada tanto por quem trabalha quanto por quem dá trabalho.
15. Defraudei meus funcionários ou colaboradores do salário justo, pagando-lhes menos do que mereciam ou atrasando injustamente o pagamento?
16. Defraudei meu empregador, trabalhando mal, roubando tempo do trabalho ou não cumprindo honestamente meus deveres?
17. Trabalhei mal ou com negligência, não fazendo por merecer o salário que recebo?
18. No meu escritório ou emprego, peguei mais do que o estabelecido ou do que me era devido?
19. Retive ou atrasei indevidamente o pagamento de salários ou vencimentos sob minha responsabilidade?
20. Com meu voto ou conselho, impedi que outro obtivesse um emprego, um cargo ou um benefício ao qual tinha direito legítimo?

7.4. Evasão fiscal e danos a bens públicos
A justiça diz respeito também ao bem comum. Fraudar o Estado ou danificar bens públicos atinge toda a comunidade.
21. Fraudei o Estado sonegando impostos justos e razoáveis, destinados ao benefício da comunidade?
22. Causei danos a propriedades ou bens públicos ou privados?
23. Subtraí ou retive dinheiro em despesas públicas ou nos cargos que administrava?
24. No cargo que ocupo, fiz o possível para evitar injustiças, roubos, fraudes e abusos que prejudicam a convivência social?

7.5. Usura, dívidas e obrigações de restituição
Quem roubou ou causou um dano tem a obrigação de restituir e indenizar. Enquanto não o fizer, o pecado não é plenamente perdoado.
25. Emprestei dinheiro com taxas de juros excessivas (usura), aproveitando-me da necessidade de pessoas em dificuldade?
26. Quitei minhas dívidas, podendo fazê-lo? Respeitei os prazos devidos para os pagamentos?
27. Devolvi o dinheiro ou as coisas que peguei emprestado?
28. Devolvi o que encontrei e que pertencia a outra pessoa?
29. Restituí ou indenizei o que roubei ou o dano que causei? Se não pude fazê-lo, compensei dando aos pobres em proporção?
30. Se por causa do meu roubo ou da minha apropriação alguém sofreu uma perda de lucro, estou disposto a indenizar também este dano?
31. Respeitei os legados e os testamentos alheios?
32. Tornei impossível pagar minhas dívidas de justiça por vaidade, despesas excessivas ou prodigalidade?

7.6. Cumplicidade e cooperação no dano alheio
É-se corresponsável não só quando se rouba diretamente, mas também quando se ajuda, se aprova ou se cala diante do mal alheio.
33. Cooperei em um roubo ou em um dano: ordenando, incitando, ajudando, aprovando ou participando do produto do roubo?
34. Consenti, aconselhei ou influenciei de qualquer modo o roubo ou o dano em detrimento do próximo?
35. Com minha omissão, condescendência ou silêncio, concorri para o dano do próximo, quando poderia tê-lo impedido?
36. Alegrei-me com o roubo ou o dano sofrido por outra pessoa?
37. Aconselhei mal alguém em um negócio, causando-lhe um dano econômico?

7.7. Negligência e preguiça nos próprios deveres
Também a negligência e a preguiça podem causar danos injustos aos outros ou a si mesmo.
38. Fui negligente na gestão de dinheiro ou bens confiados a mim por outros?
39. Por minha negligência, estraguei ou deteriorei propriedade alheia?
40. Fui preguiçoso no cumprimento dos meus deveres profissionais ou familiares?
41. Recusei ou negligenciei ajudar alguém em necessidade urgente, mesmo podendo fazê-lo?

7.8. Apego aos bens materiais e desejos desordenados
O sétimo mandamento não diz respeito apenas às ações externas: toca também o coração e os desejos. A inveja e a avareza são as raízes de muitos pecados contra a justiça.
42. Desejei os bens alheios ou tramei para me apossar deles?
43. Tenho inveja das riquezas, das propriedades ou do sucesso econômico dos outros?
44. Sou avarento ou ganancioso, dando importância demais aos bens materiais e às comodidades? Meu coração está fixo nos bens terrenos em vez de nos verdadeiros tesouros do Céu?
45. Sou honesto no trabalho, na profissão e no comércio? Tudo o que possuo, ganhei de modo honesto?

 

8º Mandamento. “Não levantar falso testemunho”
“Não darás falso testemunho contra o teu próximo.” (Ex 20,16; cf. Dt 5,20)
“Não espalharás boatos mentirosos, nem colaborarás com o ímpio como testemunha falsa.” (Ex 23,1)
“Não sejas maldizente no meio do teu povo.” (Lv 19,16)
“São uma abominação para o Senhor os lábios mentirosos.” (Pr 12,22)
“A falsa testemunha não ficará impune; quem profere mentiras não escapará.” (Pr 19,5)
“Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno.” (Mt 5,37)
“Portanto, tendo vós todos rompido com a mentira, que cada um diga a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros.” (Ef 4,25)
“Não mintais uns aos outros, pois já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir” (Cl 3,9)

Em resumo, o oitavo mandamento exige amar e testemunhar a verdade, rejeitando a mentira, o falso testemunho, a calúnia e a difamação. Requer o respeito à boa fama do próximo e o testemunho da verdade em todos os âmbitos da vida cristã, à imitação de Cristo que é o Caminho, a Verdade e a Vida. A mentira é uma negação de Deus, que é a Verdade Suprema. Os pecados contra este mandamento frequentemente exigem reparação: quem prejudicou a reputação alheia tem a obrigação de remediar o dano causado.

8.1. Falso testemunho, perjúrio e mentira grave
São as formas mais graves de pecado contra a verdade, porque lesam diretamente a justiça e podem causar danos irreparáveis (cf. Pr 19,9).
1. Prestei falso testemunho em público – em um processo, diante de uma autoridade ou em um contexto oficial – declarando o falso sobre alguém?
2. Cometi perjúrio, ou seja, disse coisas falsas sob juramento, ou assinei documentos falsos?
3. Acusei injustamente alguém de algo que não tinha feito, causando-lhe um dano?
4. Caluniei alguém, ou seja, atribuí a outros culpas ou defeitos que sabia serem falsos, prejudicando sua reputação? Fiz a devida reparação ou estou disposto a fazê-la?
5. Descobri ou tornei públicos os pecados ou os defeitos ocultos de alguém por vingança ou para desacreditá-lo?

8.2. Maledicência e difamação
A maledicência é revelar os defeitos verdadeiros do próximo a quem não os conhece, sem uma razão válida. Mesmo que o que se diz seja verdade, pode ser pecado grave (cf. Eclo 21,28).
6. Cometi maledicência, ou seja, revelei os defeitos ou as faltas reais do próximo a pessoas que não os conheciam, sem uma razão objetivamente válida?
7. Prejudiquei a boa fama de alguém revelando defeitos ocultos, mesmo que verdadeiros (detração)?
8. Revelei os pecados ou os segredos de outros sem uma razão séria e proporcional?
9. Difamei alguém com atitudes, gestos ou palavras injustas, mesmo sem dizê-lo explicitamente?
10. Falei mal dos outros por frivolidade, inveja, mau humor ou simples prazer em criticar?
11. Exagerei os defeitos alheios, inflando a realidade para fazer alguém parecer pior do que é?
12. Usei meias-palavras ou insinuações para lançar sombras sobre alguém, sem ter a coragem de dizer as coisas claramente?

8.3. Juízos temerários
O juízo temerário é acreditar firmemente, sem provas suficientes, que alguém é culpado de algum defeito moral ou delito. É pecado porque ofende a dignidade de quem é julgado.
13. Julguei negativamente alguém sem ter provas ou fundamentos suficientes?
14. Acreditei firmemente na culpa de alguém apenas por suspeitas, boatos ou impressões, sem verificar a realidade?
15. Emiti juízos apressados, condenando alguém antes de conhecer os fatos?
16. Sou habitualmente crítico, negativo ou desprovido de caridade ao falar dos outros, sem necessidade?

8.4. Fofocas, murmurações e discórdia
A fofoca e a murmuração envenenam as relações entre as pessoas e criam inimizades mesmo onde não haveria.
17. Murmurei sobre os outros, ou seja, falei mal de alguém pelas costas sem justa razão?
18. Semeei discórdia entre pessoas, relatando coisas desfavoráveis ditas por um sobre o outro para criar inimizade entre eles?
19. Coloquei alguém em má situação diante de outros, talvez com o pretexto de que «me disseram» ou «dizem por aí»?
20. Escutei com prazer as murmurações alheias, sem tentar pará-las?
21. Permiti que murmurassem em minha presença, quando tinha a obrigação ou a possibilidade de interromper?
22. Escutei ou aprovei a divulgação de um escândalo a respeito do meu próximo?

8.5. Mentira comum e violação de segredos
Mesmo a mentira cotidiana, aparentemente pequena, é uma violação da verdade e uma ofensa à pessoa enganada.
23. Menti? Por qual motivo: para enganar deliberadamente, para escapar de uma punição, por brincadeira ou por comodidade? Causei danos espirituais ou materiais com a minha mentira?
24. Violei um segredo que me foi confiado, sem uma razão justa e grave?
25. Fui cúmplice em acobertar fatos graves ou criminosos com meu silêncio, quando deveria ter falado?
26. Adulei alguém, dizendo coisas não verdadeiras para agradá-lo ou para obter algo?
27. Faltei com a verdade por vanglória, exagerando meus méritos ou minhas qualidades?
28. Usei a ironia de modo cruel para ferir alguém, mesmo sem dizer coisas explicitamente falsas?

8.6. Omissões: falta de defesa e reparação
Não basta evitar fazer o mal: às vezes, tem-se o dever de defender a verdade e a boa fama alheia, e de reparar os danos causados.
29. Omiti-me em defender alguém que estava sendo difamado ou caluniado, mesmo podendo fazê-lo com facilidade?
30. Respeitei e guardei a boa fama e a dignidade de cada pessoa com quem entrei em contato?
31. Fiz a devida reparação pelos danos causados à reputação alheia com calúnias, difamações ou revelações indiscretas?

 

9º Mandamento. “Não desejar a mulher do próximo”
“Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma do que lhe pertença.” (Ex 20,17)
“Não desejarás a mulher do próximo.” (Dt 5,21)
“Desvia teu olhar da mulher enfeitada, não olhes com curiosidade para a beleza alheia. Pela beleza de uma mulher muitos pereceram, pois daí se abrasa a concupiscência como o fogo.” (Eclo 9,8)
“Eu havia feito um pacto com meus olhos, de nem sequer pensar numa virgem.” (Jó 31,1)
“Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Ora, eu vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração. Se teu olho direito te leva à queda, arranca-o e joga para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros, do que todo o corpo ser lançado no inferno. Se a tua mão direita te leva à queda, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros, do que todo o corpo ir para o inferno.” (Mt 5,27-30)
“Os que pertencem a Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e seus desejos.” (Gl 5,24)
“Portanto, mortificai os vossos membros, isto é, o que em vós pertence à terra: imoralidade sexual, impureza, paixão, maus desejos, especialmente a ganância, que é uma idolatria.” (Cl 3,5)
“Foge das paixões da juventude; busca a justiça, a fé, o amor, a paz com aqueles que invocam o Senhor, de coração puro.” (2Tm 2,22)

Em resumo, o nono mandamento exige a pureza do coração, respeitando a santidade do amor conjugal. Pede explicitamente vigilância não só sobre os atos externos (que são objeto do sexto mandamento), mas também sobre os desejos interiores, os olhares, os pensamentos e as imagens que consentimos. Requer que se lute contra a concupiscência e o desejo desordenado, cultivando a humildade, a modéstia e a graça de Deus como fundamento de uma vida interior ordenada.

9.1. Desejos impuros pela pessoa alheia
O mandamento nasce da proteção da fidelidade conjugal e da dignidade de cada pessoa: ninguém deve ser reduzido a objeto de desejo ilícito.
1. Desejei sexualmente a esposa ou o marido de outra pessoa, cultivando esse desejo no coração?
2. Olhei para outra pessoa com olhar de concupiscência, transformando-a mentalmente em objeto de desejo, em vez de respeitá-la em sua dignidade?
3. Cultivei fantasias ou imaginações sobre pessoas reais, comprazendo-me interiormente nelas em vez de rejeitá-las?
4. Trouxe voluntariamente à memória lembranças impuras ligadas a pessoas reais, deleitando-me com essa recordação?

9.2. Pornografia, exibicionismo e meios de comunicação
A pornografia e o exibicionismo são ofensas graves à dignidade da pessoa e instrumentos poderosos de corrupção interior.
5. Participei de alguma forma da pornografia: assistindo, procurando, produzindo, divulgando ou apoiando-a financeiramente?
6. Participei de atos ou espetáculos exibicionistas, como espectador ou como protagonista?
7. Abusei da internet, da televisão ou de outros meios de comunicação para procurar conteúdos, conversas ou «distrações» que alimentam desejos, pensamentos ou fantasias impuras?
8. Guardei no celular, no computador ou em casa imagens, vídeos ou materiais pornográficos ou sexualmente provocantes?

9.3. Vestuário, pudor e provocação
O pudor do corpo é uma forma de respeito por si mesmo e pelos outros. Vestir-se de modo provocante é um convite ao desejo ilícito.
9. Deixei-me levar pela moda, usando em público roupas ou vestimentas que excitam sensualmente os outros e provocam olhares, desejos ou pensamentos indecentes?
10. Faltei com a modéstia em meus comportamentos, gestos ou modo de me apresentar, sem me importar com o efeito que produzia nos outros?
11. Respeitei o pudor dos sentimentos e das emoções, ou alimentei em mim mesmo sensações e estados de espírito que me levavam à desordem? Uso tipos de roupas para me excitar? Uso tipos de roupas íntimas para me excitar?

9.4. Proteção dos menores
As crianças e os adolescentes têm direito a crescer em um ambiente puro. Ferir o seu pudor é uma responsabilidade gravíssima.
12. Faltei com o respeito ao pudor de crianças ou adolescentes, expondo-os a imagens, conversas, espetáculos ou situações inadequadas para a sua idade?
13. Permiti que menores presentes em minha casa tivessem acesso a conteúdos pornográficos ou sexualmente explícitos através da televisão, internet ou outros meios?
14. Dei a crianças ou jovens um mau exemplo com meu comportamento, meu vestuário ou minha linguagem em matéria de pureza?

9.5. Guarda dos olhos e da imaginação
«A vista desperta a paixão dos insensatos» (Sb 15,5). Os olhos e a imaginação são as portas principais por onde entram os desejos impuros: guardá-los é uma forma concreta de luta pela pureza.
15. Lutei para guardar o olhar, evitando fixar-me em pessoas, imagens ou situações que suscitam desejos impuros?
16. Negligenciei o controle da minha imaginação, deixando-a vagar livremente por fantasias impuras sem combatê-las?
17. Evitei lugares, situações, pessoas ou ambientes que sabia serem para mim uma ocasião de queda interior?
18. Procurei ativamente encher a mente e o coração de bons pensamentos – a oração, a beleza, o trabalho, o serviço – como remédio contra os pensamentos impuros?

9.6. Oração e meios sobrenaturais para a pureza do coração
A pureza do coração é um dom de Deus que deve ser pedido com humildade. Sem a graça, a luta contra a desordem interior é impossível.
19. Rezei regularmente para obter de Deus a graça da pureza e da limpeza do coração, reconhecendo que sozinho não consigo vencer?
20. Recorri aos sacramentos da Confissão e da Comunhão como instrumentos principais para purificar o coração e receber a força para recomeçar?
21. Invoquei a Virgem Maria como modelo e auxílio na luta pela pureza, confiando-lhe meus momentos de fraqueza?
22. Percebo que a bem-aventurança evangélica «Felizes os puros no coração, porque verão a Deus» (Mt 5,8) não é uma promessa distante, mas um caminho concreto que posso percorrer todos os dias com a ajuda da graça?

 

10º Mandamento. “Não cobiçar as coisas alheias”
“Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma do que lhe pertença.” (Ex 20,17; cf. Dt 5,21)
“Atenção! Guardai-vos de todo tipo de ganância, porque, mesmo que se tenha muitas coisas, a vida não consiste na abundância de bens.” (Lc 12,15)
“Que vossa conduta não seja inspirada pelo amor ao dinheiro. Contentai-vos com o que tendes” (Hb 13,5)
“… onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6,21)

Em resumo, o décimo mandamento, como o nono, diz respeito ao coração; enquanto o sétimo proíbe tomar os bens alheios com ações, este proíbe desejá-los com o coração. Exige a liberdade interior da avidez e da inveja, praticando o desapego dos bens materiais e a confiança na providência de Deus. Requer que se cultive a sobriedade e a generosidade, reconhecendo que o verdadeiro bem do homem não reside na posse de riquezas, mas no abandono confiante a Deus. Este exame ajuda a descobrir se o coração está livre ou prisioneiro dos bens deste mundo.

10.1. Cobiça e desejo doentio pelos bens alheios
A cobiça é o desejo desordenado de possuir o que pertence aos outros. É a raiz de muitos pecados contra a justiça e a caridade.
1. Desejei de modo doentio ou obsessivo os bens, as propriedades ou as riquezas alheias, nutrindo no coração o desejo de me apropriar deles?
2. Maquinei ou planejei internamente como me apossar do que pertence a outros, mesmo sem passar à ação?
3. Desejei que alguém perdesse seus bens – por morte, azar ou desgraça – para que eu pudesse me beneficiar?
4. Cultivei um apego desordenado ao dinheiro e às coisas materiais, a ponto de torná-los o centro dos meus pensamentos e preocupações?

10.2. Inveja
A inveja é a tristeza pelo bem alheio, vivida como uma ameaça ou uma injustiça para consigo. É um dos sete vícios capitais e envenena o coração e as relações.
5. Fiquei triste ou irritado com o sucesso, a prosperidade, os talentos ou a felicidade dos outros, em vez de me alegrar com eles?
6. Desejei que os outros não tivessem o que têm – bens, qualidades, afetos, posições – porque a sorte deles me pesava?
7. Nutri ressentimento por quem tem mais do que eu: mais dinheiro, mais talento, mais sucesso, mais reconhecimento?
8. A inveja me levou a diminuir, criticar ou sabotar os outros, só para reduzir a distância que eu percebia entre mim e eles?

10.3. Ambição desordenada e desejo da posição alheia
Não se desejam apenas os bens materiais: pode-se desejar também o papel, o prestígio, o lugar ou a estima que pertencem a outro.
9. Desejei tomar o lugar de outro – na escola, no trabalho, em um grupo, em uma comunidade – não para servir melhor, mas por ambição ou por inveja?
10. Tentei tirar alguém de sua posição ou de seu papel de forma desleal, mesmo que apenas em desejos e pensamentos?
11. Cobicei reconhecimentos, honras ou estima que não me eram devidos, nutrindo ressentimento quando eram dados a outros?
12. Sou capaz de me alegrar sinceramente com o sucesso e a promoção dos outros, sem me sentir diminuído?

10.4. Avareza e apego aos próprios bens
A avareza é o apego excessivo aos próprios bens, que leva a não compartilhar nada com quem está em necessidade. É o inverso da cobiça: lá se quer tomar, aqui não se quer dar.
13. Sou avarento, dando importância demais aos bens materiais e às comodidades? Meu coração está mais apegado às posses terrenas do que aos verdadeiros tesouros do Céu?
14. Tenho dificuldade em compartilhar o que tenho com quem precisa, mesmo quando poderia fazê-lo sem grandes sacrifícios?
15. Recusei-me a dar esmola ou a ajudar quem estava em dificuldade, para não diminuir meus bens?
16. Tratei o dinheiro e os bens materiais como um fim em si, em vez de como instrumentos a serviço de Deus e do próximo?

10.5. Desapego interior e pobreza de espírito
O remédio para a cobiça e a avareza não é a miséria, mas a liberdade interior: possuir as coisas sem ser possuído por elas. «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus» (Mt 5,3).
17. Vivo em um estado de contínua insatisfação, desejando sempre mais do que tenho, sem conseguir me contentar com o que Deus me deu?
18. Reconheço na Providência de Deus o fundamento da minha segurança, ou busco segurança apenas no acúmulo de bens e recursos?
19. Esforço-me para praticar a pobreza de espírito: usar as coisas sem me apegar a elas, estar pronto para renunciar a elas se Deus o pedir?
20. Rezei para obter de Deus a liberdade interior dos bens deste mundo, pedindo-lhe que purifique meu coração dos desejos desordenados?
21. Percebo que a desordem dos meus desejos pelos bens materiais me afasta de Deus e das pessoas, fechando-me em mim mesmo?

 

Os cinco preceitos da Igreja
1. Participar na Missa, aos domingos e festas de guarda e abster-se de trabalhos e atividades que impeçam a santificação desses dias.
2. Confessar os pecados ao menos uma vez cada ano.
3. Comungar o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa.
4. Guardar a abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja.
5. Contribuir para as necessidades materiais da Igreja, segundo as possibilidades.