4 Abr 2026, Sáb

Exame de consciência segundo as virtudes teologais e cardeais

 

Reserve um momento de silêncio e recolhimento. Leia cada pergunta lentamente, deixando que ela toque sua consciência. Não se trata de uma lista de culpas a serem recitadas, mas de um espelho para encontrar a verdade sobre si mesmo diante de Deus. Conclua com um ato de contrição sincero e com o propósito de melhorar.

Oração inicial
Vinde, Espírito Santo, iluminai minha mente e meu coração. Ajudai-me a ver com clareza em que me afastei de Deus e do bem. Dai-me a graça da verdade e do arrependimento sincero. Amém.

As virtudes teologais e cardeais
As virtudes teologais – Fé, Esperança e Caridade – nos unem diretamente a Deus. São dons que devemos guardar e fazer crescer.
As virtudes cardeais – Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança – ordenam a vida moral e regem as outras virtudes humanas.

 

I. FÉ
É a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele revelou – porque Ele é a própria Verdade – e que a Igreja nos propõe a crer. É a adesão do intelecto e da vontade à verdade revelada por Deus e proposta pela Igreja como crível.

“A fé é o fundamento daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se veem.” (Hb 11,1)
“Tua fé te salvou” (Mc 10,52)
“O justo viverá pela fé” (Rm 1,17)
“Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima deve crer que ele existe e recompensa os que o procuram.” (Hb 11,6)

Pecados graves contra a fé
1. Recusei obstinadamente uma ou mais verdades da fé católica após o batismo? (Heresia – ex.: negar a Ressurreição, a presença real na Eucaristia etc.)
2. Repudiei completamente a fé cristã recebida no batismo? (Apostasia – abandono total da fé.)
3. Recusei-me a reconhecer o Papa como guia da Igreja ou me separei da comunhão com ela? (Cisma – ruptura com a Igreja.)
4. Por acaso reduzi minha fé apenas ao que consigo entender ou ver com meus próprios olhos, recusando o que vai além da minha razão? (Incredulidade – recusa em crer na Revelação.)

Fraquezas e abandonos da fé
5. Cultivei voluntariamente dúvidas sobre o que Deus revelou ou sobre o que a Igreja ensina, sem procurar resolvê-las? (Ex.: duvidei deliberadamente de Deus, de Cristo, de um dogma da fé.)
6. Duvidei da fé para respeitar a opinião alheia ou por medo do julgamento dos outros? (Respeito humano – vergonha de professar a fé.)
7. Por acaso me calei ou escondi minha fé em situações em que poderia tê-la testemunhado com coragem?
8. Frequentei práticas, movimentos ou crenças incompatíveis com a fé cristã? Pratiquei superstições, magias, esoterismo ou atribuí poder sobrenatural a objetos ou ritos não cristãos?
9. Pensei que todas as religiões são equivalentes e que a fé católica não tem nada de especial ou de verdadeiro em relação às outras? (Indiferentismo religioso.)
10. Com meus comportamentos ou palavras, levei alguém a se afastar da fé ou a perdê-la? (Escândalo contra a fé.)

Negligência e tibieza na fé
11. Negligenciei minha formação na fé? Permaneci na ignorância de coisas que poderia e deveria conhecer? (Negligência na formação – ignorância culpável.)
12. Quando tive dúvidas de fé, procurei resolvê-las com o estudo, a oração ou o conselho de uma pessoa experiente e de confiança?
13. Expus voluntariamente minha fé a riscos desnecessários? Tenho cuidado com livros, espetáculos, vídeos ou companhias que poderiam enfraquecê-la?
14. Tentei resolver meus problemas confiando apenas na minha cabeça ou nas pessoas, sem trazê-los à luz da fé e da oração?
15. Zelei pela vida de fé de quem depende de mim (filhos, familiares, pessoas confiadas aos meus cuidados)? Fiz o possível para ajudá-los a crescer na fé?

Vida de oração e prática da fé
16. Negligenciei a oração diária, mesmo que breve? Rezei todos os dias com fé viva?
17. Participei da Missa dominical de forma distraída, apressada ou apenas por hábito, sem verdadeira presença interior?
18. Esqueci de fazer o ato de fé todos os dias? Percebo que a fé é um dom de Deus e que deve ser cultivada diariamente com a oração, o estudo e a meditação?
19. Nas dificuldades, busquei luz na Palavra de Deus ou preferi confiar apenas nas minhas próprias forças?
20. Por acaso esqueci de rezar por quem não crê, por quem está longe da fé ou por quem a perdeu?

 

II. ESPERANÇA
É a virtude teologal pela qual confiamos em obter de Deus a vida eterna e as graças necessárias para alcançá-la.

“Pois é na esperança que fomos salvos. Ora, aquilo que se tem diante dos olhos não é objeto de esperança: como pode alguém esperar o que está vendo? Mas, se esperamos o que não vemos, é porque o aguardamos com perseverança.” (Rm 8,24-25)
“E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5,5)
“A esperança, com efeito, é para nós como uma âncora, segura e firme.” (Hb 6,19)

Pecados graves contra a esperança
1. Alguma vez desesperei da misericórdia de Deus, pensando que meus pecados são imperdoáveis ou que Deus não pode ou não quer me salvar? (Desespero – o pecado mais grave contra a esperança.)
2. Pensei que me salvaria de qualquer maneira, sem precisar me converter ou pedir perdão, porque “Deus perdoa a todos”? (Presunção – a falsa segurança na salvação.)

Desânimo e falta de confiança
3. Perdi a esperança na misericórdia de Deus por causa dos meus pecados ou das minhas fraquezas?
4. Murmurei contra Deus diante das provações e dos sofrimentos, como se Ele tivesse me abandonado?
5. Cedi à ansiedade ou ao desânimo nas dificuldades, esquecendo que Deus está comigo e provê?
6. Por acaso pensei, diante de uma situação difícil, que Deus não conseguiria dar um jeito ou que a vitória do mal era possível? Percebo que, confiando em Deus onipotente e Redentor, a vitória sobre o mal é garantida?

Apego aos bens desta vida
7. Depositei minha segurança no dinheiro, no trabalho, na saúde ou no status social mais do que em Deus?
8. Vivi como se esta vida fosse tudo, negligenciando o fato de que fui feito para a vida eterna?
9. Tenho um apego excessivo a esta vida, a ponto de que, se perdesse meus bens, minha saúde ou minha posição social, perderia também a esperança?

Negligência no cuidado com a esperança
10. Percebo que a esperança não é um simples otimismo humano, mas um dom de Deus? Faço todos os dias o ato de esperança?
11. Confundi a esperança cristã com esperar passivamente que Deus resolva tudo, sem usar os meios que ele mesmo colocou à minha disposição?
12. Negligenciei a leitura da Sagrada Escritura, onde posso ver com meus próprios olhos que Deus é sempre fiel às suas promessas e nunca abandona quem a ele se confia?
13. Por acaso deixei de confiar a Deus em oração as situações difíceis, tentando me virar apenas com minhas próprias forças?

Para com o próximo
14. Deixei de levar esperança a quem estava desanimado, na dor ou no desespero? Soube ser uma presença de consolo e de confiança para os outros?
15. Com minhas palavras ou minha atitude, por acaso alimentei a resignação, o pessimismo ou a desconfiança em quem estava perto de mim?

 

III. CARIDADE
É a virtude teologal pela qual amamos a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor a Deus.

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.” (Jo 15,12)
“Nós amamos, porque ele nos amou primeiro.” (1Jo 4,19)
“O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo. O amor jamais acabará.” (1Cor 13,4-8)
“Atualmente permanecem estas três: a fé, a esperança, o amor; mas a maior delas é o amor.” (1Cor 13,13)

“A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não se vangloria, não se ensoberbece, não é descortês, não busca o seu interesse, não se irrita, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13).

Pecados graves contra Deus
1. Alguma vez senti ódio de Deus, amaldiçoando-o ou rejeitando-o deliberadamente?
2. Vivi como se Deus não existisse, ignorando-o completamente na minha vida cotidiana? (Indiferença religiosa.)
3. Esqueci de agradecer a Deus pelos dons recebidos, como se tudo fosse mérito meu ou simples sorte? (Ingratidão para com Deus.)

Pecados graves contra o próximo
4. Odiei alguém, desejando-lhe o mal ou alegrando-me com suas desgraças?
5. Senti inveja dos sucessos, talentos ou bens alheios, entristecendo-me com o bem dos outros?
6. Semeei discórdia entre as pessoas, alimentando divisões, brigas ou desentendimentos?
7. Falei mal de alguém pelas costas, arruinando sua reputação? Caluniei alguém, atribuindo-lhe coisas falsas? (Maledicência e calúnia.)
8. Com meus comportamentos ou palavras, levei alguém a fazer o mal ou a se afastar de Deus? (Escândalo.)
9. Cometi uma ofensa ou uma injustiça grave contra alguém, sem procurar reparar?

Tibieza e negligência no amor a Deus
10. Vivi minha fé de modo tíbio, sem entusiasmo, sem um desejo verdadeiro de Deus, fazendo tudo por hábito? (Tibieza espiritual.)
11. Vivi momentos de acídia espiritual, nos quais a oração, os sacramentos e as coisas de Deus me pesavam ou me entediavam? (Acídia espiritual.)
12. Percebo que a caridade não é um sentimento humano, mas um dom de Deus? Faço todos os dias o ato de caridade?
13. Por acaso deixei de desejar que Deus seja conhecido e amado, e de fazer algo concreto para isso?
14. Deixei de reagir quando ouvi uma blasfêmia ou uma ofensa a Deus, ao menos com um ato interior de reparação e de louvor?

Negligência e frieza para com o próximo
15. Guardei rancor ou ressentimento de alguém, sem buscar a reconciliação?
16. Excluí, ignorei ou tratei mal alguém por egoísmo, preguiça ou preconceito?
17. Deixei de rezar por meus inimigos e por quem me fez mal?
18. Percebo que a verdadeira prova da caridade é querer bem até ao inimigo, responder ao mal com o bem? Eu realmente tento fazer isso?

Obras de misericórdia e testemunho concreto
19. Por acaso deixei de ser generoso com meu tempo, meus bens e minhas energias para com quem precisa?
20. Negligenciei as obras de misericórdia corporais e espirituais – visitar os doentes, consolar os aflitos, instruir os ignorantes, corrigir com caridade quem erra?
21. Esqueci que amar o próximo significa querer-lhe o bem de verdade, não apenas sentir afeto ou simpatia? Tratei a todos com respeito e bondade, mesmo quem acho difícil ou antipático?
22. No dia a dia, nas conversas, no trabalho, em família – fui um bálsamo para os outros ou uma fonte de tensão, reclamações e negatividade?

Crescimento na caridade
23. Percebo que a caridade é a única virtude que permanece por toda a eternidade? Esforço-me para cultivá-la todos os dias, mesmo nas pequenas coisas?
24. Percebo que quando amo de verdade uma pessoa, eu a procuro, quero estar com ela, alegro-me com o que a alegra e sofro com o que a faz sofrer, faço o que ela me pede mesmo quando não tenho vontade? Meu relacionamento com Deus tem esses mesmos sinais de amor verdadeiro?
25. Alegro-me com tudo o que agrada a Deus e me entristeço com tudo o que o ofende?

 

IV. PRUDÊNCIA
É a virtude cardeal que nos guia a reconhecer o bem a ser feito em cada circunstância e a escolher os meios justos para realizá-lo.

“Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16)
“Portanto, procedei não como insensatos, mas como pessoas esclarecidas” (Ef 5,15)
“Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem sensato, que construiu sua casa sobre a rocha.” (Mt 7,24)

Falsa prudência e malícia
1. Agi com duplicidade, astúcia ou engano para conseguir o que queria, manipulando as pessoas ou as situações? (Astúcia – uso distorcido da inteligência.)
2. Confundi a prudência com a esperteza mundana, preocupando-me apenas com o que me convém, sem levar em conta Deus e a vida eterna? (Prudência da carne.)

Precipitação e impulsividade
3. Tomei decisões importantes sem oração, reflexão ou conselho, confiando apenas no meu instinto do momento?
4. Agi por impulso, sem pensar nas consequências, causando danos a mim mesmo ou aos outros?
5. Falei sem refletir, especialmente em situações delicadas, dizendo coisas das quais depois me arrependi?
6. Por acaso julguei pessoas ou situações antes de conhecer bem a verdade, deixando-me guiar por impressões ou sentimentos?

Indecisão, negligência e adiamentos
7. Adiei continuamente decisões importantes por timidez, preguiça ou medo de errar, sem nunca chegar a uma conclusão?
8. Perdi tempo precioso ponderando infinitamente sem me decidir, com o resultado de não fazer nada? (Ex.: “vou pensar”, “vou ver”, “talvez amanhã…”)
9. Deixei que a pressa ou a preguiça me fizessem escolher mal, pulando a reflexão necessária?
10. Adiei decisões importantes da vida – vocação, família, trabalho, conversão – sem um motivo sério?

Falta de discernimento e de conselho
11. Por acaso confundi a prudência com a mediocridade ou a covardia, evitando fazer o bem por medo das consequências?
12. Deixei de pedir conselho – a um sacerdote, a uma pessoa sábia, a quem tem experiência – quando não sabia como agir retamente?
13. Minha prudência é cristã, ou seja, orientada para Deus e para a vida eterna? Ou é apenas mundana, atenta ao que convém, ao que agrada, ao que evita problemas?
14. Por acaso deixei de distinguir claramente o que é verdadeiramente bom daquilo que é apenas agradável, conveniente ou cômodo?

Falta de vigilância sobre si mesmo
15. Negligenciei evitar as situações que sei que são para mim ocasiões de pecado, iludindo-me de que conseguiria lidar com elas?
16. Deixei de aprender com os erros cometidos, repetindo os mesmos equívocos sem tirar nenhuma lição?
17. Deixei de tirar proveito espiritual dos acontecimentos da minha vida – alegrias, dores, fracassos, sucessos – lendo-os à luz de Deus?
18. Deixei de ponderar bem as circunstâncias e os meios antes de agir, deixando-me guiar por uma paixão ou uma emoção forte em vez do reto juízo?
19. Depois de entender o que era justo fazer, por acaso deixei de colocar em prática, parando na boa intenção sem passar para a ação?

 

V. JUSTIÇA
É a virtude cardeal que nos leva a dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.

“Devolvei, pois, a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus.” (Mt 22,21)
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.” (Mt 6,33)
“Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus.” (Mt 5,20)

Pecados graves contra a vida e a liberdade
1. Tirei a vida de alguém, favoreci um aborto ou fui cúmplice de uma violência grave contra uma pessoa?
2. Bati, feri ou maltratei alguém fisicamente?
3. Privei alguém da liberdade de forma ilegítima – retendo-o contra a sua vontade, isolando-o ou controlando todos os seus movimentos?

Pecados graves contra os bens alheios
4. Roubei, assaltei ou fraudei alguém, subtraindo-lhe o que era seu?
5. Danifiquei voluntariamente a propriedade alheia ou pública sem reparar o dano?
6. Retive injustamente um salário ou uma remuneração devida a quem trabalhou para mim?
7. Pratiquei usura, aproveitando-me da necessidade alheia para ganhar de modo injusto?
8. Devolvi o que peguei ou danifiquei? Reparei os danos materiais ou morais causados aos outros?

Pecados contra a reputação e a verdade
9. Caluniei alguém, atribuindo-lhe culpas ou defeitos falsos, arruinando seu nome?
10. Difamei ou falei mal de alguém pelas costas, revelando sem motivo defeitos verdadeiros? (Detração ou maledicência.)
11. Não adquiri o hábito de descobrir e contar os defeitos ocultos dos outros?
12. Julguei alguém de forma precipitada, sem conhecer a verdade, condenando-o no coração ou diante dos outros?
13. Menti de forma a causar dano a alguém? Prestei falso testemunho ou fiz um juramento falso?
14. Enganei alguém em um contrato, em um acordo ou em uma compra e venda?
15. Fui adulador, dizendo coisas falsas ou exageradas apenas para agradar alguém ou obter algo?
16. Fui dissimulado ou hipócrita, mostrando ser quem não sou?

Pecados contra a justiça social
17. Explorei o trabalho alheio, pagando pouco, tratando mal ou ignorando os direitos de quem trabalhava para mim?
18. Pratiquei corrupção – dando ou recebendo favores ilícitos para obter vantagens indevidas?
19. Discriminei alguém injustamente – por sua origem, condição social, aparência ou outro motivo – negando-lhe direitos ou tratamento digno?
20. Fiz acepção de pessoas na família, entre amigos ou no trabalho, favorecendo alguns e penalizando outros de modo injusto?

Deveres para com o Estado e a comunidade
21. Não soneguei impostos ou tentei me esquivar de obrigações civis legítimas?
22. Não deixei de respeitar as leis justas da sociedade, pensando que não me diziam respeito?
23. Quando o bem comum exigia um sacrifício da minha parte, não tentei talvez me esquivar?

Deveres para com Deus: piedade e obediência
24. Dou-me conta de que Deus, sendo infinitamente perfeito, tem direito a toda a minha glória, minha honra e minha adoração? Não deixei talvez de lhas dar?
25. Não negligenciei a presença de Deus no meu dia, vivendo como se Ele não existisse, não me visse e não estivesse comigo?
26. Não deixei talvez de fazer da vontade de Deus a norma suprema da minha vida, colocando em primeiro lugar os meus desejos, a minha comodidade ou o julgamento alheio?
27. Não negligenciei os preceitos da Igreja – a Missa dominical, a confissão, o jejum – como se fossem opcionais ou superados?

Obediência aos superiores legítimos
28. Não deixei de respeitar e ouvir os meus superiores legítimos – na família, no trabalho, na Igreja – olhando demais para os seus defeitos em vez da autoridade que representam?
29. A minha obediência, quando existe, é plena e serena? Ou é lenta, descontente, parcial, sempre acompanhada de discussões ou resistências interiores?
30. Não puni alguém com excesso ou com dureza excessiva, ou, pelo contrário, com demasiada fraqueza e indulgência, faltando com a equidade?
31. Deixo-me guiar pelo meu confessor ou diretor espiritual? Considero os seus conselhos como um instrumento da vontade de Deus para mim, ou os acolho e os rejeito conforme me convêm?

Generosidade e uso dos bens
32. Não deixei de ser generoso com os meus bens, o meu tempo ou as minhas qualidades para com quem precisava?
33. Não gastei de modo imprudente ou irresponsável, colocando em risco o necessário para mim ou para quem depende de mim?
34. Não deixei de ser grato a quem me fez o bem – Deus, os pais, os benfeitores, os amigos?

 

VI. FORTALEZA
É a virtude cardeal que nos torna capazes de enfrentar com coragem as dificuldades e os perigos pelo bem, e de perseverar no bem, mesmo diante das adversidades e sofrimentos.

“No mundo tereis aflições, mas tende coragem! Eu venci o mundo.” (Jo 16,33)
“Tudo posso naquele que me dá força.” (Fl 4,13)
“Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e de moderação.” (2Tm 1,7)

Covardia e pusilanimidade moral
1. Não calei a verdade ou renunciei a fazer o bem por medo das consequências – do julgamento alheio, do ridículo, do conflito? (Covardia – recusa de cumprir o próprio dever por medo.)
2. Não deixei que alguém sofresse uma injustiça sem dizer nada, preferindo ficar em silêncio para não criar problemas para mim?
3. Não renunciei a corrigir fraternalmente quem errava, para não incomodar ou por medo de como reagiria?
4. Não abandonei compromissos importantes – de fé, de família, de serviço – simplesmente porque se tornaram cansativos ou incômodos? (Moleza – abandonar o bem para evitar o esforço.)
5. Não cedi talvez às tentações sem opor resistência, sem sequer pedir ajuda a Deus?

Respeito humano e medo do julgamento
6. Não vivi preocupando-me mais com o que o mundo pensa de mim do que com o que Deus pensa? Pergunto-me: “O que Jesus faria no meu lugar?”
7. Não deixei que a ironia, as zombarias ou o julgamento negativo dos outros me impedissem de fazer o bem ou de professar a minha fé?
8. Não cedi talvez a uma solidariedade de grupo errada – ficar com os outros mesmo quando estavam errados, para não me isolar ou para não parecer diferente?
9. Não deixei talvez que os estados de ânimo da multidão – o entusiasmo coletivo, o escárnio, o ódio de grupo – me arrastassem sem refletir?

Temeridade e presunção
10. Não enfrentei talvez situações perigosas ou difíceis de modo impulsivo, sem razão suficiente e sem avaliar as consequências? (Temeridade – coragem sem prudência.)
11. Não confiei talvez demais nas minhas próprias forças, pretendendo ter sucesso em empreendimentos superiores às minhas capacidades, sem me entregar a Deus? (Presunção – falsa fortaleza.)

Impaciência e desânimo
12. Não suportei mal os sofrimentos, as doenças, as injustiças e as provações da vida, lamentando-me e perdendo a serenidade em vez de uni-los a Cristo? (Impaciência.)
13. Não deixei que o fracasso ou a falta de reconhecimento me desanimassem, abandonando o bem iniciado?
14. Não deixei que o humor dos outros ou as circunstâncias externas determinassem o meu estado de ânimo, em vez de me enraizar na paz de Deus?

Inconstância e fraqueza espiritual
15. Não abandonei a oração, os sacramentos ou as práticas espirituais nos momentos de aridez, de tédio ou de dificuldade, em vez de perseverar?
16. Não demonstrei inconstância nas boas obras – começando com entusiasmo e abandonando assim que o esforço chegava?
17. Não enfrentei o sofrimento, a doença ou o fracasso com desconfiança e resignação, em vez de me apoiar em Deus com fé?

Exame global da fortaleza
18. Tenho realmente aquela disposição de espírito que me impulsiona a fazer coisas difíceis – quando o dever o exige – a qualquer custo, sem esperar as condições favoráveis?
19. Diante das adversidades, das provações e das injustiças, suportei com fortaleza e serenidade, aceitando o que Deus permite? Ou reagi com rebelião, amargura ou resignação?

 

VII. TEMPERANÇA
É a virtude cardeal que modera os apetites e os prazeres sensíveis segundo a reta razão e assegura o domínio da vontade sobre os instintos.

“Pois a graça salvadora de Deus manifestou-se a toda a humanidade. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com ponderação, justiça e piedade” (Tt 2,11-12)
“Todo atleta em tudo se domina; eles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.” (1Cor 9,25)
“Pois vai chegar um tempo em que muitos não suportarão a sã doutrina, mas conforme seu gosto, se cercarão de uma série de mestres que só atiçam o ouvido. E assim, deixando de ouvir a verdade, eles se desviarão para as fábulas.” (2Tm 4,3-4)

Luxúria e desordem sexual
1. Cometi atos sexuais fora do casamento – relações pré-matrimoniais, adultério, prostituição? (Fornicação, adultério.)
2. Não cedi à masturbação ou busquei o prazer sexual fora do seu significado humano e moral?
3. Não olhei material pornográfico ou procurei voluntariamente imagens, espetáculos ou situações que excitam o desejo desordenado?
4. Não cultivei talvez voluntariamente pensamentos ou fantasias impuras, detendo-me neles em vez de afastá-los?
5. Não procurei talvez ocasiões de pecado – companhias, lugares, situações – que sabia serem perigosas para a minha castidade?

Gula e intemperança no comer e no beber
6. Não comi ou bebi de modo excessivo, com avidez ou de modo desordenado, perdendo o controle de mim mesmo?
7. Não perdi voluntariamente o uso da razão por abuso de álcool, drogas ou outras substâncias? (Embriaguez – pecado grave.)
8. Não procurei talvez comidas refinadas, caras ou especiais apenas pelo prazer do paladar, com apego excessivo?

Ira e falta de mansidão
9. Não cedi à ira, ao nervosismo ou à irritabilidade sem tentar me dominar, ferindo quem estava perto de mim com palavras ou atitudes?
10. Não usei palavras ásperas, ofensivas ou ameaçadoras para com os outros, em particular para com quem depende de mim?
11. Esqueci facilmente as ofensas recebidas, guardando rancor em vez de perdoar? (Nota: a mansidão é o contrário da ira e faz parte da temperança.)
12. Não me faltou paciência com os defeitos alheios, exigindo dos outros uma perfeição que não exijo de mim mesmo?
13. Quando faço uma repreensão ou uma correção fraterna, não agi talvez para desabafar a minha irritação em vez de por amor ao outro? Respondi com mansidão a quem me falava com raiva?
14. Não alimentei discussões inúteis, defendendo a minha opinião mais por orgulho do que por amor à verdade?

Soberba e falta de humildade
15. Não pensei demais em mim mesmo – nas minhas qualidades, nos meus méritos, na minha inteligência – inflando-me interiormente? (Soberba – oposta à humildade, que é parte da temperança.)
16. Não fiquei talvez ferido por muito tempo pelas ofensas recebidas, remoendo-as em vez de deixá-las ir?
17. Não tive uma atitude de superioridade para com os pobres, os mais fracos, as crianças ou quem ocupa uma posição inferior à minha?

Desordem nos prazeres e nos passatempos
18. Não dediquei um tempo desproporcional às telas, às redes sociais, ao entretenimento ou ao jogo, em detrimento dos deveres e da vida espiritual?
19. Não busquei a diversão ou os prazeres sensíveis de modo excessivo, fazendo deles um fim em vez de um meio de descanso?
20. Não me faltou sobriedade no modo de vestir, de gastar ou de me apresentar, cedendo à vaidade ou ao desejo de aparecer?

Uso do dinheiro e dos bens
21. Não administrei o dinheiro de modo desordenado – desperdiçando em luxos desnecessários ou cedendo a impulsos de compra – sem pensar em quem precisa?
22. Não deixei talvez de renunciar a algo lícito quando um bem maior ou a necessidade do próximo o exigiam?

Controle da língua
23. Não deixei de controlar a língua, usando palavras vulgares, ofensivas, cruéis ou mentirosas?
24. Não falei demais – contando fatos dos outros, lamentando-me, polemizando – sem que houvesse necessidade?
25. Não me faltou afabilidade e gentileza no tom com que falo aos outros, especialmente com os mais fracos, as crianças e os pobres?