4 Nov 2026, Qua

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Uma reflexão sobre Rm 12,12: «Alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração».

 

 

Detenhamo-nos um momento nessas poucas palavras. Vamos relê-las devagar, deixando que cada uma encontre seu lugar dentro de nós: alegres… constantes… perseverantes. São palavras breves, escritas por Paulo à comunidade de Roma, que encerram todo um caminho. São como pontos cardeais oferecidos a quem teme ter perdido o rumo.

E quantos, hoje, sentem esse desamparo. Vivemos em um tempo rico em possibilidades, conhecimentos e recursos; no entanto, muitas vezes, pobre em referências compartilhadas. A todo momento recebemos informações, propostas, promessas de felicidade; e temos dificuldade para distinguir o que permanece daquilo que passa. Tudo se acelera. A incerteza aumenta, a vida se fragmenta. E algo dentro de nós se enfraquece: a capacidade de esperar, de perseverar, de confiar.

Paulo não nos oferece uma fórmula que consola por um instante. Ele nos entrega uma regra de vida. Não nos pede que fujamos do mundo, mas que vivamos nele com o coração orientado. Esperança, constância, oração: entrelaçadas como uma corda de tripla, que não se rompe com facilidade.

 

Alegres na esperança

Alegres na esperança. A primeira palavra é um convite à alegria. Não a uma alegria superficial, mas àquela alegria serena que nasce de uma certeza: Deus é fiel. Nossa vida tem sentido. Nenhuma situação, por mais sombria que seja, está definitivamente fora do alcance de sua mão salvadora.

Deixemos que essa certeza penetre fundo em nós. A história não é uma sucessão aleatória de acontecimentos; nossa existência não está entregue ao vazio. Caminhamos rumo a uma plenitude que não construímos sozinhos: recebemo-la como promessa, acolhemo-la como dom. E é justamente por isso que a esperança não nos afasta dos compromissos de cada dia. Pelo contrário, devolve-os a nós para que os vivamos com mais liberdade e responsabilidade.

Quem tem esperança pode semear mesmo quando ainda não vê a colheita; amar sem querer possuir; servir sem buscar recompensa. A esperança nos liberta da ansiedade do «tudo e agora», ensina-nos a esperar de modo fecundo, paciente e confiante, como o agricultor que aguarda com constância o precioso fruto da terra.

Alegrar-se na esperança significa, então, guardar no coração uma alegria capaz de atravessar até mesmo as lágrimas. É a alegria de quem sabe que o mal não terá a última palavra. Uma alegria humilde, às vezes silenciosa, mas apoiada em uma rocha: a presença de Deus.

 

Constantes na tribulação

A esperança cristã não elimina a tribulação. Não promete a ninguém uma vida sem provações. Pede-nos algo mais humilde e, ao mesmo tempo, maior: permanecer constantes em meio à provação.

A constância é a força silenciosa de quem permanece fiel quando o caminho se torna íngreme. É não abandonar o bem só porque ele exige tempo, sacrifício e paciência. Quando tudo ao nosso redor nos impele a descartar aquilo que não dá resultados imediatos, quem crê testemunha o valor da fidelidade: nos relacionamentos, na vocação, no serviço, na educação, no compromisso com a justiça.

A tribulação tem muitos rostos, e cada um de nós conhece alguns deles. A doença. A solidão. O fracasso. As incompreensões. A crise de fé. O esforço de acompanhar quem sofre. E também as tribulações que pesam sobre povos inteiros: a guerra, a pobreza, as migrações forçadas, a violência, as desigualdades, a falta de confiança no futuro. Diante de tudo isso, o discípulo não pode desviar o olhar. A indiferença não é um caminho evangélico.

A constância segundo o Evangelho torna-se, então, presença: a capacidade amadurecida de permanecer ao lado de quem sofre, sem fugir. É a coragem de defender a dignidade da pessoa quando parece que ninguém a enxerga. É a fidelidade ao Evangelho, mesmo quando sua palavra parece fraca, incômoda, contrária às tendências dominantes.

 

Perseverantes na oração

Mas de onde vêm a esperança e a constância? Não apenas da força de vontade. Elas precisam de uma fonte mais profunda, que Paulo nomeia: perseverantes na oração. Sem a oração, a esperança corre o risco de se reduzir a um otimismo ingênuo, e a constância, a uma teimosia sem sentido. Na oração, porém, reconhecemos com gratidão que nossa vida é sustentada por Deus.

Rezar é voltar à fonte todos os dias. No silêncio e na escuta da Palavra, aprendemos a distinguir o que é urgente daquilo que é realmente importante. A oração não é uma varinha mágica que muda as circunstâncias. É o espaço sagrado em que Deus nos transforma: transforma nosso olhar, ilumina nosso coração, ensina-nos a ler a história não a partir dos nossos medos, mas à luz de sua fidelidade.

Perseverar na oração significa permanecer também nos períodos de aridez, distração e silêncio, quando não recebemos nenhum consolo. É justamente ali que a oração se purifica: escolhemos confiar em Deus por aquilo que Ele é, e não apenas pelo que nos dá.

Assim, a oração perseverante se torna relação, entrega e disponibilidade. E não nos fecha em um espaço intimista. O verdadeiro encontro com Deus sempre amadurece em um chamado a encontrar os irmãos: os pobres, os jovens desorientados, as famílias feridas, todos os que perderam a esperança. A verdadeira oração abre os olhos, educa para a compaixão e conduz ao serviço.

 

Uma bússola para o nosso tempo

Em um mundo sem bússola, o cristão não pretende ter todas as respostas. Simplesmente testemunha que encontrou uma direção. E essa direção tem um rosto e um nome: Cristo, em quem o sofrimento é atravessado pelo amor e a morte se abre à ressurreição.

Quem crê não impõe certezas com arrogância. Oferece um testemunho digno de crédito: alegre sem ser ingênuo, constante sem se tornar rígido, dedicado à oração sem se alhear da história. Com sua vida, mostra que é possível viver de outro modo.

Na desorientação do nosso tempo, Paulo nos entrega uma bússola simples e profunda. Seguremo-la nas mãos e deixemos que oriente nossos passos: esperar com alegria, resistir com amor, rezar sem se cansar.

 

P. Fabio ATTARD

Reitor-Mor dos Salesianos de Dom Bosco