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A história de Ilodigwe Emanuel Chekwube é a de um jovem nigeriano que, criado na fé, escolheu responder a um chamado maior que ele mesmo. Salesiano de Dom Bosco, ele deixou a Nigéria para servir onde a presença da Congregação era mais frágil. Da Libéria à Hungria, enfrentou a barreira do idioma, o distanciamento cultural e a solidão do estrangeiro – não com suas próprias forças, mas com a certeza de que quem envia, provê. Seu relato é um testemunho concreto da fé missionária vivida no coração da Europa.
Meu nome é Ilodigwe Emanuel Chekwube. Venho de Isuaniocha, na área de governo local de Awka Norte, no estado de Anambra, na Nigéria. Sou o quinto de seis filhos – quatro homens e duas mulheres – e cresci em uma família católica sólida, na qual a fé era vivida. Essa educação me ajudou a amadurecer uma relação pessoal e cada vez mais profunda com Deus.
Tive ao meu redor testemunhas críveis que me guiaram no amor a Jesus e no crescimento espiritual. Após os exames de conclusão do ensino médio, sentindo no coração o desejo de servir a Deus e aos jovens, entrei em contato com os Salesianos. Em 2012, fiz meus primeiros votos e, desde então, meu amor pelo carisma de Dom Bosco se enraizou ainda mais.
Já durante o pós-noviciado – e até mesmo antes – eu ficava impressionado com o fato de que, em diversas partes do mundo, algumas casas salesianas estavam sendo fechadas por falta de coirmãos. Essa realidade me questionou profundamente e despertou em mim o desejo de me colocar à disposição para os lugares onde a presença salesiana era mais frágil.
Quando comecei a pensar seriamente na missão, meu maior medo era este: “E se me mandarem para um país onde não se fala inglês? O que será de mim?”. O medo era real, mas não permiti que ele paralisasse minha resposta. Após um tempo de intensa oração e de conversa com alguns missionários, encontrei a coragem de me candidatar para as missões.
Meu primeiro pedido foi aceito, mas, como a Inspetoria precisava de tirocinantes, fui enviado inicialmente para uma zona missionária interna: a Libéria. Após um ano de serviço, eu ainda sentia forte o chamado ad gentes e apresentei novamente a candidatura. Desta vez, fui destinado à Hungria, uma das menores Inspetorias da Congregação.
Meu medo se tornou realidade: cheguei a um país onde não se falava inglês.
Não foi simples me inserir em um contexto completamente novo, onde tudo era diferente – a língua, o clima, a cultura, a comida, o estilo de vida. A adaptação exigiu tempo e paciência. No entanto, uma certeza me sustentou: minha relação com Aquele que me enviou é maior que qualquer dificuldade. Se o Senhor me chama para servir em uma nova terra, estou disposto a recomeçar do zero.
Esta é também a mensagem que desejo deixar a quem lê: quando Deus o chama para algo novo, responda com confiança. Esteja pronto para recomeçar. Ele nunca abandona quem se confia a Ele.
Com essa convicção, aprendi a confiar mais, a exercitar a paciência e a me dedicar seriamente ao estudo da língua. O húngaro não foi fácil, mas com a ajuda de Deus, dos coirmãos e dos jovens, consegui aprendê-lo. Ainda há aspectos em que preciso crescer, mas reconheço que não foi a minha força que me sustentou, e sim a Sua graça. Aquele que envia também provê o que é necessário para a missão.
Em breve, celebrarei dez anos da minha chegada à Hungria. O serviço nesta Inspetoria tem sido para mim uma experiência rica e positiva. Em um contexto europeu marcado pela queda no número de praticantes, a Hungria permanece um país onde a Igreja, a família e a dignidade da pessoa ainda conservam um reconhecimento social significativo. Agradeço a Deus por me permitir servi-lo aqui.
Nossa Inspetoria é pequena; no entanto, na missão, o que conta não é primeiramente a quantidade, mas a qualidade da presença e do testemunho. Certamente seria uma graça poder acolher novos missionários, para assim ampliar o serviço aos jovens e a difusão do Reino de Deus.
A escassez numérica representa um desafio, mas não é o maior. A dificuldade mais profunda que percebo diz respeito à transmissão da fé nas famílias. Antigamente, os pais ensinavam os filhos a rezar e os guiavam no caminho cristão; hoje, às vezes acontece que a participação na vida eclesial é motivada apenas por atividades escolares ou esportivas. O domingo corre o risco de se tornar um dia como qualquer outro. E, no entanto, o tempo dedicado a Deus é o que dá sentido e plenitude a todo o resto. Santificar o dia do Senhor significa colocar Deus novamente no centro.
Qual é, então, minha tarefa como missionário salesiano? É viver a fé de modo crível e reevangelizar, antes de tudo, com a vida. Os jovens, hoje, não são tão tocados pelas palavras quanto pela coerência. Se eles veem que o que você anuncia corresponde ao que você vive, então se abrem para escutar. Acredito que este seja um caminho privilegiado para a reevangelização da Europa: o testemunho concreto. Viver de tal forma que qualquer um possa “ler o Evangelho” na sua vida. Representar Cristo, não as lógicas do mundo.
Atualmente, vivo na comunidade de Péliföldszentkereszt com três coirmãos vindos da Índia, do Vietnã e da Hungria. Desempenho o serviço de diretor espiritual e professor de religião em uma escola secundária salesiana. Considero-a uma verdadeira fronteira missionária: muitos alunos não vêm de famílias praticantes, mas estão em busca. Eles têm perguntas, desejam sentido, procuram plenitude.
Minha presença entre eles busca ser um acompanhamento: ajudá-los a se aproximar de Cristo através da escuta, do exemplo e da paciência. Nem sempre é fácil, especialmente quando surgem incompreensões culturais ou linguísticas, mas procuro viver com humildade, disposto a aprender e a ensinar. Nossa comunidade também anima um oratório e uma intensa atividade paroquial. Trabalhar juntos é um grande dom: nós semeamos e confiamos a Deus o crescimento.
Gostaria de concluir indicando três pilares que sustentam a missão: oração, adoração e peregrinação. Sem oração, a missão perde a fecundidade. A grandeza da obra de Dom Bosco nasceu da entrega total ao Senhor, por intercessão de Maria Auxiliadora. Na adoração silenciosa, busco força para as fadigas diárias; diante d’Ele, encontro luz, consolo e coragem renovada. Ele é a fonte da minha alegria. Também a peregrinação, vivida como experiência espiritual, fortalece o corpo e o coração na fé.
Este meu relato é também um convite: não deixem que o medo silencie a voz de Deus. Se sentirem o chamado para terras distantes, partam com confiança. Se a sua missão é local, sejam missionários no dia a dia. Todo cristão, onde quer que esteja, é chamado a ser um reflexo da luz de Cristo.
P. Ilodigwe Emanuel Chekwube, sdb

