25 Mar 2026, Qua

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A confissão ocupa um lugar central na vida e na missão de São João Bosco. Para ele, não era simplesmente uma prática religiosa entre outras, mas um dos lugares privilegiados onde a misericórdia de Deus se manifesta e o coração do homem se renova. Dom Bosco convidava à confissão com uma simplicidade desarmante, com a delicadeza de um pai e com a paixão de um verdadeiro pastor, capaz de alcançar jovens, pobres, afastados e pecadores nos pátios, nas praças, nas prisões e nas igrejas. Em sua experiência sacerdotal, o sacramento da Reconciliação aparece como um caminho concreto de esperança, de verdade e de paz, oferecido a todos com incansável bondade e com aquela franqueza afetuosa que tornava crível seu convite para voltar a Deus.

 

Um sacramento no centro de tudo
            Quem conhece a vida de São João Bosco sabe que um dos fios condutores de sua existência sacerdotal é o sacramento da Confissão. Não uma devoção entre tantas, não uma incumbência pastoral entre outras: para Dom Bosco, a confissão era o coração pulsante do cuidado das almas, o lugar privilegiado onde a misericórdia de Deus alcançava o pecador e o regenerava. As Memórias Biográficas, a monumental coleção em dezenove volumes que documenta sua vida, retornam a este tema com uma frequência extraordinária – a palavra “confissão” aparece quase mil vezes naquelas páginas – testemunhando o quão central o sacramento da Penitência era em sua existência e em seu método educativo e pastoral.

Para Dom Bosco, esperança, misericórdia e confissão eram sinônimos. Essa síntese eficacíssima revela a teologia prática que ele vivia: a confissão não era, antes de tudo, um tribunal, mas a porta escancarada da misericórdia divina. Qualquer um que se aproximasse dele com o peso do pecado encontrava nele não um juiz severo, mas um pai que exultava ao ver o filho voltar para casa.

Horas incontáveis diante do confessionário
            Assim que obteve a licença para confessar em 10 de junho de 1843, Dom Bosco dedicou-se a este ministério com uma intensidade que deixava seus contemporâneos perplexos. Seus biógrafos registram que, quando chegou ao Refúgio de Turim, onde realizava seus primeiros serviços pastorais, ainda não era encarregado da pregação, mas assim que obteve a faculdade de confessar, quase todos queriam se confessar com ele, e ele dava ouvidos a todos.

Nos primeiros tempos do Oratório de Valdocco, Dom Bosco sentava-se em um banquinho em um canto do pátio ou da capela, e os meninos se ajoelhavam ao seu redor para se confessar, enquanto outros se preparavam ou faziam a ação de graças. Era um espetáculo incomum e comovente: um padre sentado ao ar livre, cercado de crianças que esperavam pacientemente sua vez. Em certos dias festivos, a multidão era tal que nem mesmo uma dúzia de sacerdotes seria suficiente; no entanto, os meninos queriam se confessar todos somente com ele, e era preciso persuadi-los a adiar a Comunhão para o dia seguinte.

Com o crescimento do Oratório e depois do Internato, as horas que Dom Bosco passava no confessionário tornaram-se lendárias. Ele se levantava bem cedo e, antes mesmo de sair de seu quarto para a sacristia, já sabia que pedidos de confissão o aguardavam. Ele mesmo havia escrito em seus propósitos de 1845: “Como, ao chegar à sacristia, geralmente me fazem logo pedidos para ouvir em confissão, assim, antes de sair do quarto, procurarei fazer uma breve preparação para a santa Missa”. Confessava de manhã cedo, confessava durante os recreios, confessava à noite. Não perdia uma oportunidade.

Havia também um ritmo semanal das confissões no Oratório: toda manhã de domingo, dava-se aos jovens a possibilidade de se aproximarem dos sacramentos, mas um domingo por mês era estabelecido para a confissão e comunhão geral de todos. E no regulamento escrito por Dom Bosco, a confissão era prescrita pelo menos a cada quinze dias, com a possibilidade de se aproximar todo sábado para quem o desejasse.

A arte de convidar: a franqueza afetuosa de Dom Bosco
            O que distingue Dom Bosco de tantos outros sacerdotes zelosos é sua extraordinária capacidade de convidar à confissão sem forçar, de abrir o caminho do sacramento com um toque de humor, de simplicidade, de uma perspicácia desarmante. As Memórias Biográficas dedicam um capítulo inteiro do terceiro volume (capítulo VII) para ilustrar “a admirável franqueza de Dom Bosco em Porta Nova, na Praça Castelo, na Praça das Armas e em outros lugares para reconduzir os pecadores a Deus”. Para ele, todo lugar era bom, todo encontro uma oportunidade.

Nas tavernas, nas hospedarias, nos cafés, nas barbearias onde ia procurar os meninos abandonados, Dom Bosco nunca perdia de vista o objetivo final: reconduzir aquela alma a Deus. Começava com uma piada, um truque de mágica, uma história que prendia a atenção; depois, pouco a pouco, levava a conversa para o plano espiritual, e quase sem que o interlocutor percebesse, se via ouvindo um convite à confissão. “Assim, os obstinados sentiam suas resistências se desvanecerem, acolhiam os bons propósitos que a graça divina lhes inspirava e, aos poucos, eram levados a uma boa confissão”.

Com os meninos do Oratório, o método era ainda mais direto e afetuoso. Ele se aproximava de um jovem durante o recreio, colocava a mão em seu ombro, trocava algumas palavras alegres e depois, quase de passagem: “E aí, quando é que você vai se confessar? Já faz um tempinho que você não aparece no confessionário…”. A abordagem era tão natural e livre de julgamento que raramente os meninos recusavam. E quem se confessava primeiro, voltando alegre e sereno para o pátio, tornava-se involuntariamente o melhor embaixador: vendo sua alegria, os outros criavam coragem e o seguiam.

Célebre foi também sua maneira de se aproximar até dos adultos mais distantes da prática religiosa. Com uma mulher que há muito tempo não se confessava, bastou que ele pronunciasse docemente a palavra “confissão” para que ela mesma exclamasse: “Confissão! Já faz muito tempo que não me confesso”. A brecha estava aberta. Com os cocheiros, com os guardas, até mesmo com os condenados à morte nas prisões senatoriais de Turim, onde ia toda semana com o P. Cafasso, Dom Bosco encontrava uma maneira de se aproximar com delicadeza, de ganhar a confiança, de dispor lentamente a alma à conversão. Ele nunca se resignou diante de uma recusa: tentava, esperava, voltava.

Memorável é também o episódio dos guardas que o vigiavam durante o período de grandes dificuldades com as autoridades civis. Após suas pregações, aqueles guardas que há anos não se confessavam se aproximavam dele, comovidos, pedindo para serem ouvidos em confissão. Dom Bosco lhes prestava “oh, com muito prazer!” essa caridade, tanto que – como os guardas mudavam a cada domingo – pode-se dizer que quase todos acabaram se confessando e comungando.

Suas recomendações: sinceridade, frequência, confiança
            Dom Bosco não se limitava a convidar à confissão: ele a ensinava, a explicava, a recomendava com critérios precisos e concretos. O primeiro e fundamental ensinamento era sobre a sinceridade absoluta. “Em primeiro lugar, recomendo que façam o possível para não cair em pecado; mas se, por desgraça, acontecer de cometerem algum, nunca se deixem induzir pelo demônio a omiti-lo na confissão”. Essa recomendação retorna com impressionante constância em todos os contextos: nas alocuções da noite, nos discursos às grandes assembleias, nas conversas pessoais.

O medo de omitir os pecados por vergonha era para ele uma das tragédias espirituais mais graves. Escrevia com a caneta tremendo na mão: “Enquanto escrevo, minha mão treme ao pensar no grande número de cristãos que vão para a perdição eterna apenas por terem omitido ou não terem exposto sinceramente certos pecados na confissão”. E a quem se encontrasse duvidando da validade de alguma confissão passada, dirigia um apelo sincero: acerte logo as coisas da consciência, expondo sinceramente o que te pesa, como se estivesses à beira da morte.

A segunda recomendação era a frequência. Dom Bosco fixou no primeiro domingo de cada mês o dia de confissão e comunhão geral no Oratório, recomendando a cada um que se aproximasse do sacramento como se fosse a última confissão de sua vida. Essa consciência do momento presente, essa urgência espiritual não era melancolia, mas intensidade de vida: cada confissão podia ser a última, portanto, cada confissão devia ser feita com todo o coração.

A terceira recomendação dizia respeito ao confessor e à relação de confiança com ele. Dom Bosco exortava seus meninos a colocarem em prática os conselhos recebidos na confissão e os convidava a trazerem consigo os amigos: “Procurem levar algum companheiro de vocês para ouvir a palavra de Deus ou para se aproximar do sacramento da Confissão”. A confissão não era um fato privado e individualista: tinha um impacto na comunidade, tinha um poder de contágio do bem.

Quanto aos confessores, Dom Bosco tinha indicações precisas: nunca se devia maltratar os penitentes nem se espantar com sua ignorância ou com as coisas ditas em confissão. A bondade, a paciência, a discrição eram qualidades indispensáveis. O confessor era obrigado ao sigilo absoluto: “Mesmo que tivesse que perder a própria vida, não pode dizer a ninguém a mínima coisa relativa ao que ouviu em confissão”. Essa garantia de sigilo absoluto era para Dom Bosco um elemento essencial para que os penitentes tivessem a confiança de se abrir completamente.

Uma herança viva
            Olhando para o conjunto da vida de Dom Bosco, emerge um retrato de sacerdote que levou a sério as palavras de Cristo a seus apóstolos: “A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados”. Para ele, esse poder não era um privilégio a ser guardado ciosamente, mas uma responsabilidade a ser exercida com generosidade ilimitada, no confessionário e fora dele, de manhã cedo e tarde da noite, com as crianças e com os condenados à morte, nas igrejas e nas praças, onde quer que uma alma precisasse reencontrar a paz com Deus.

Dom Bosco havia entendido uma coisa simples e profunda: que os meninos abandonados, os pobres, os pecadores não precisavam ser condenados, mas amados; e que o maior amor que um sacerdote podia oferecer era o de acompanhá-los à misericórdia de Deus, através daquele sacramento que ele havia aprendido a amar desde criança, quando sua mãe Margarida o levara pela mão à igreja para sua primeira confissão.

O convite de Dom Bosco não perdeu nada de sua atualidade. Ressoa hoje com a mesma doçura insistente com que ele se aproximava de seus meninos no pátio do Oratório, de quem encontrava na rua, dos afastados e dos cansados. É um convite dirigido de modo particular a quem há tempos se afastou deste sacramento da saúde e da paz: ninguém está tão longe de Deus que não possa voltar para casa.
Seguindo seus passos, acolhemos seu apelo e o fazemos nosso. Para quem deseja se aproximar ou reaproximar da Confissão – talvez após anos de afastamento, talvez com algum medo ou incerteza sobre como proceder – reunimos NESTA PÁGINA algumas indicações práticas e espirituais, na esperança de que possam ajudar a se abrir à graça de Deus e a receber seu perdão. Como Dom Bosco lembrava a seus meninos: não omitir nada por vergonha, confiar-se com fé na bondade do confessor e voltar sereno como quem foi abraçado pelo Pai.
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