26 Mar 2026, Qui

Disposições para uma boa confissão

 

Para se preparar para a confissão, é indispensável conhecer os ensinamentos do catecismo: trata-se da formação básica de todo cristão. Mesmo quem já recebeu essa instrução no passado fará bem em revisá-la, porque é uma ajuda preciosa para se confessar com fruto.
Recordemos algumas verdades ali contidas e outros ensinamentos muito úteis para a Confissão.

 

1. Os dois mandamentos da caridade
1. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente.
2. Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

 

2. A regra de ouro (Mt 7,12)
Tudo quanto quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles.

 

3. Os dez mandamentos de Deus ou Decálogo
1. Amar a Deus sobre todas as coisas.
2. Não tomar seu santo nome em vão.
3. Guardar domingos e festas de guarda.
4. Honrar pai e mãe.
5. Não matar.
6. Não pecar contra a castidade.
7. Não furtar.
8. Não levantar falso testemunho.
9. Não desejar a mulher do próximo.
10. Não cobiçar as coisas alheias.

 

4. Os cinco preceitos da Igreja
1. Participar na Missa, aos domingos e festas de guarda.
2. Confessar-se ao menos uma vez cada ano.
3. Comungar ao menos pela Páscoa.
4. Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Igreja.
5. Pagar o dízimo, segundo o costume.

 

5. As sete obras de misericórdia corporais
1. Dar de comer a quem tem fome
2. Dar de beber a quem tem sede
3. Vestir os nus
4. Dar pousada aos peregrinos
5. Visitar os enfermos
6. Visitar os presos
7. Enterrar os mortos.
Lembre-se que a nossa santa fé católica nos ensina que… assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras está morta. (Tiago 2,26)

 

6. As sete obras de misericórdia espirituais
1. Dar bons conselhos
2. Ensinar os ignorantes
3. Corrigir os que erram
4. Consolar os tristes
5. Perdoar as injúrias
6. Suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo
7. Rezar a Deus por vivos e defuntos.

 

7. As três virtudes teologais
1. Fé
2. Esperança
3. Caridade

 

8. As quatro virtudes cardeais
1. Prudência
2. Justiça
3. Fortaleza
4. Temperança

 

9. Os sete vícios capitais e as virtudes contrárias
1. Soberba – Humildade
2. Avareza – Generosidade
3. Luxúria – Mortificação
4. Ira – Paciência
5. Gula – Abstinência
6. Inveja – Caridade
7. Preguiça – Diligência

 

10. Os pecados contra o Espírito Santo
1. Desespero da salvação – Acreditar que Deus não pode ou não quer perdoar os próprios pecados, rejeitando a misericórdia divina.
2. Presunção de salvação sem mérito – Esperar a salvação sem conversão (presumir do perdão de Deus) ou esperar obter a glória sem merecê-la.
3. Impugnar (opor-se a) a verdade conhecida – Negar ou combater deliberadamente uma verdade de fé que se reconhece como verdadeira, por razões de soberba ou interesse.
4. Inveja da graça alheia – Entristecer-se pelos bens espirituais do próximo, ou seja, por sua santidade ou sua proximidade com Deus.
5. Obstinação no pecado – Persistir deliberadamente no mal com a vontade de não se converter, rejeitando o arrependimento.
6. Impenitência final – Morrer sem ter se arrependido, rejeitando o perdão de Deus até o último momento da vida.
Jesus fala de um “pecado contra o Espírito Santo” que não será perdoado (Mt 12,31-32). A teologia esclarece que esses pecados não são irremissíveis por um limite da misericórdia de Deus (que é infinita), mas porque quem os comete rejeita voluntariamente os próprios meios do perdão: a graça, a conversão, o arrependimento. É um fechamento livre e obstinado do coração humano.
O Catecismo da Igreja Católica (n. 1864) afirma: “Quem não quer receber o perdão, não pode ser perdoado.”

 

11. Os quatro pecados que bradam ao céu por vingança
1. Homicídio voluntário
“A voz do sangue do teu irmão clama da terra a mim!” (Gn 4,10 – Após o fratricídio de Caim)

2. Pecado impuro contra a natureza
“Porque vamos destruir este lugar: o clamor que se eleva contra eles diante do Senhor é grande, e o Senhor nos enviou para destruí-los.” (Gn 19,13 – destruição de Sodoma e Gomorra)

3. Opressão dos pobres, viúvas e órfãos
“Não maltratarás a viúva nem o órfão. Se o maltratares, quando ele clamar a mim por ajuda, eu ouvirei o seu clamor, a minha ira se acenderá e vos farei morrer à espada.” (Ex 22,21-23)

4. Reter o salário dos trabalhadores (não pagar o justo salário a tempo)
“Não defraudarás o assalariado pobre e necessitado, seja ele um dos teus irmãos ou um dos estrangeiros que estão na tua terra, nas tuas cidades. Dar-lhe-ás o seu salário no mesmo dia, antes que o sol se ponha, porque ele é pobre e por isso anseia. Assim ele não clamará contra ti ao Senhor e tu não estarás em pecado.” (Dt 24,14-15)

 

12. As nove maneiras de se tornar cúmplice dos pecados alheios
1. Participando – tomar parte ativa na ação pecaminosa
2. Ordenando – ordenar a alguém que peque, especialmente quando se tem autoridade
3. Provocando – instigar ou dar mau exemplo a alguém até fazê-lo cair em pecado
4. Aconselhando – sugerir ou incentivar alguém a cometer o mal
5. Consentindo – aprovar interior ou exteriormente o mal que outro está fazendo
6. Louvando ou adulando – elogiar quem comete o mal, encorajando-o
7. Defendendo o mal cometido – justificar ou proteger quem pecou
8. Não impedindo – omitir-se de parar alguém quando se tem o dever e a possibilidade de fazê-lo
9. Calando ou, pior, escondendo – não denunciar ou não corrigir quando a consciência e o papel o exigem

A distinção fundamental está entre cooperação formal (compartilha-se a intenção maliciosa do outro) e cooperação material (contribui-se para o ato sem compartilhar seu fim), com diferentes graus de gravidade moral dependendo do caso.
A lista tradicional em latim é: consilio [por conselho], mandato [por mandato], consenso [por consentimento], palpatione [por estímulo], adulatione [por bajulação], receptatione [por receptação], participatione [por participação], taciturnitate [por silêncio, quando deveria falar], non obstando [não impedindo].

 

13. As cinco blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria
1. Blasfemei contra a Imaculada Conceição?
2. Blasfemei contra a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora?
3. Blasfemei contra a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Recusei-me a reconhecer Nossa Senhora como Mãe de todos os homens?
4. Tentei publicamente semear nos corações das crianças indiferença ou desprezo, ou até mesmo ódio, por esta Mãe Imaculada?
5. Ofendi-a diretamente em suas sagradas imagens?

As cinco blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria têm origem nas aparições de Fátima, mais especificamente na aparição de Pontevedra (Espanha) em 10 de dezembro de 1925.
Nessa data, a Virgem Maria apareceu à irmã Lúcia dos Santos – uma das três videntes de Fátima, que entretanto se tornara freira Doroteia – junto com o Menino Jesus. Nossa Senhora mostrou-lhe o seu Coração cercado de espinhos e explicou que se tratava das blasfêmias e ingratidões dos homens. Foi nessa ocasião que Maria pediu a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês, como remédio contra essas ofensas.

 

14. O vício ou a segunda natureza
Muitas vezes, não nos damos mais conta dos pecados, porque, ao repeti-los, mesmo sem intenção, eles se transformam em vícios; tornaram-se como uma segunda natureza. Na maioria das vezes, são adquiridos por socialização e, por isso, às vezes são difíceis de identificar. É preciso entender o que é o vício para saber reconhecê-lo com humildade e encontrar o remédio oportuno.

Um vício é uma disposição estável e habitual para o mal, um mau hábito enraizado na alma, um hábito moral negativo, que inclina a pessoa a cometer atos moralmente desordenados. Em outras palavras, é o oposto da virtude: enquanto a virtude torna mais fácil e espontâneo fazer o bem, o vício torna mais fácil e espontâneo fazer o mal. É, na prática, a ausência de uma virtude. Nasce de um pecado repetido.
Na teologia moral, o vício é considerado um mau hábito que se opõe a uma virtude específica (por exemplo, a gula se opõe à temperança), ou pode ser uma deformação por excesso ou defeito em relação a uma virtude.
As paixões (como a raiva ou o desejo) em si não são vícios. Tornam-se viciosas apenas quando não são governadas pela razão e pela vontade.

Características principais do vício
É habitual
: não é um único ato errado, mas uma tendência repetida que se enraizou no comportamento.
Implica consciência e liberdade (pelo menos no início): um vício se forma através do abuso do livre-arbítrio; a pessoa escolhe conscientemente cometer uma ação errada e, repetindo essa escolha, ela se torna uma segunda natureza que obscurece a razão.
Nasce dos atos: assim como as virtudes se formam repetindo atos bons, os vícios nascem da repetição de atos maus.
Ofusca o juízo moral: quem cultiva um vício tende a justificar o mal e a não mais reconhecer sua gravidade; enfraquece a capacidade de julgamento moral e torna progressivamente mais difícil fazer o bem.
Deforma a liberdade: enfraquece a capacidade de escolher o bem e torna a pessoa menos dona de si.
Causa um dano moral: o propósito de uma virtude é aperfeiçoar a pessoa e fazê-la florescer (εὐδαιμονίαeudaimonia, diziam os gregos). O fim do vício é o oposto: degrada a inteligência, enfraquece a vontade e corrompe a capacidade de amar e de se relacionar de modo saudável. É um comportamento que, no final, torna infeliz.

 

15. O pecado
O sacramento da Penitência – também chamado de Confissão – é o sacramento instituído por Cristo para perdoar os pecados cometidos após o Batismo. Mediante a confissão ao sacerdote e a absolvição sacramental, o fiel obtém o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja.
Pecado é qualquer ato, palavra, desejo, pensamento ou omissão contra a vontade de Deus. Pode-se distinguir em pecado mortal, pecado venial e imperfeições.

O pecado mortal
O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem e o afasta completamente de Deus, que é seu fim último. Mata a graça santificante que habita em nós.
Para que um pecado seja mortal, são necessárias três condições:
1. Matéria grave – violar um dos mandamentos em matéria grave.
2. Plena advertência – consciência de que o ato é gravemente errado.
3. Perfeito consentimento – escolha livre e voluntária de cometê-lo.
Se não for apagado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, o pecado mortal leva à exclusão do Reino de Deus e à condenação eterna no inferno.

O pecado venial
O pecado venial não destrói a caridade, mas a ofende e a enfraquece. Não rompe completamente a aliança com Deus, mas o ofende muito, especialmente quando se age conscientemente.
O pecado venial:
1. Freia o progresso espiritual da alma.
2. Implica penas temporais (na terra ou – muito pior – no Purgatório).
3. Se for deliberado e repetido sem arrependimento, dispõe progressivamente a cair no pecado mortal.

As imperfeições
A imperfeição é um bem realizado de modo menos pleno do que seria possível, ou a omissão de um bem que não era estritamente obrigatório. Embora não rompam a relação com Deus, as imperfeições retardam o caminho para a santidade.
Exemplos concretos:
1. Realizar um ato bom, mas com tibieza ou pouca generosidade.
2. Escolher algo bom sem escolher o melhor possível.
3. Agir com reta intenção, mas misturada com um pouco de amor-próprio.
4. Rezar, mas com pouca atenção.
5. Fazer caridade, mas com alguma busca por aprovação.

 

16. Modo prático de fazer a Confissão

Preparação
Coloco-me na presença de Deus e peço ao Espírito Santo que me ilumine, para que eu me lembre dos pecados que desagradam a Deus.
Exame de consciência: Lembro-me dos pecados cometidos desde a última confissão bem feita – de pensamento, palavra, obra ou omissão – contra os mandamentos de Deus, da Igreja, contra as virtudes ou contra as obrigações do próprio estado de vida. O exame é feito com diligência, seriedade e sinceridade, mas sem angústia. A confissão não é um suplício nem uma tortura, mas um ato de humilde confiança na misericórdia de Deus: não se trata de atormentar a alma, mas de libertá-la.

No confessionário
Aproximo-me e começo com uma saudação cristã, do tipo:
“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!” – e faço o sinal da cruz.
O confessor responde:
“Para sempre seja louvado!”
E pode continuar:
“Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amém. O Senhor esteja no teu coração para que possas arrepender-te e confessar humildemente os teus pecados.”

A confissão dos pecados
Digo minha condição: casado, religioso, viúvo, etc., e quanto tempo passou desde a última confissão.
Depois, com arrependimento, reconheço e me acuso humildemente de todos os pecados lembrados desde a última confissão bem feita, diante de Deus e de seu ministro. Especifico se são pecados de pensamento, palavra, ação ou omissão.
Começa-se pelo pecado mais grave. Confessa-se primeiro o pecado, depois as circunstâncias e o número – evitando desculpar-se. Estamos ali para nos acusar, não para nos desculpar. O perdão é sempre dado por Deus, não por nós.
É muito aconselhável terminar com as palavras:
“Arrependo-me também de tudo o que não me lembro ou não percebo; peço a Deus perdão, e a vós, padre, penitência e absolvição.”

A penitência e a absolvição
O confessor pode dar conselhos oportunos, impor a penitência e convidar a expressar a contrição com o ato de contrição:
“Meu Deus, arrependo-me de todo o coração de vos ter ofendido, porque sois tão bom e amável. Prometo, com a vossa graça, nunca mais pecar e evitar as ocasiões de pecado. Amém.”
O sacerdote absolve o penitente dizendo:
“Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”
Respondo:
“Amém.”
O sacerdote pode acrescentar:
“A paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, a intercessão da Santíssima Virgem Maria e de todos os Santos, o bem que fizeres e o mal que suportares, tudo te aproveite para remissão dos pecados, aumento da graça e penhor da vida eterna. Vai em paz.”
Respondo:
“Amém.”

Depois da confissão
É aconselhável cumprir logo a penitência recebida, para não a esquecer.
A esta, é aconselhável acrescentar pelo menos um Pai Nosso e uma Ave Maria em agradecimento a Deus pelo perdão recebido, e um Pai Nosso e uma Ave Maria pelo sacerdote confessor – para que Deus nos conceda sempre encontrar um confessor, especialmente na hora da morte.

 

17. Os elementos indispensáveis para uma boa Confissão

1. Exame de consciência
Trazer à memória todos os pecados cometidos desde a última confissão, procurando ser o mais honesto possível consigo mesmo.

2. Arrependimento
Sentir uma sincera dor por ter ofendido a Deus e detestar sinceramente o pecado. Como o arrependimento é um dom de Deus, é necessário pedi-lo a Ele com humildade na oração.

3. Propósito de emenda
Tomar a firme decisão de não pecar mais, aceitando fazer tudo o que for necessário para evitar o pecado, custe o que custar.

4. Confissão ao sacerdote
Dizer ao sacerdote todos os pecados descobertos no exame de consciência. Esta confissão deve ser:
Sincera: sem tentar enganar o sacerdote – pois é impossível enganar a Deus.
Completa: sem omitir nenhum pecado.
Humilde: sem altivez nem arrogância.
Contrita: sem indiferença, e muito menos com leviandade.
Prudente: com palavras adequadas, sem nomear outras pessoas nem revelar pecados alheios.
Breve: sem explicações inúteis nem assuntos estranhos, salvo as circunstâncias relevantes.

5. Satisfação (Penitência)
Cumprir a penitência designada pelo sacerdote, com a intenção de reparar os pecados cometidos. A penitência é obrigatória, pois constitui parte integrante do próprio sacramento.

18. Perguntas úteis para se preparar para a confissão

Sobre a própria atitude em relação ao sacramento
– Aproximo-me do sacramento da Penitência com um desejo sincero de purificação, de conversão e de uma amizade mais profunda com Deus? Ou o considero algo incômodo, a ser recebido apenas raramente e de má vontade?

Sobre as confissões passadas
– Esqueci ou omiti deliberadamente algum pecado grave nas confissões anteriores?
– Menti na confissão, por vergonha ou por medo?
– Cumpri a penitência que me foi designada pelo sacerdote?

Sobre a mudança de vida
– Reparei as injustiças cometidas contra os outros?
– Empenhei-me concretamente em corrigir os meus pecados e a não recair neles?
– Tentei colocar em prática os propósitos feitos para emendar a minha vida segundo o Evangelho?

Sobre o sacramento da Eucaristia
– Tenho consciência de que, se tenho na consciência um pecado grave – ou mesmo apenas a dúvida de que o seja – não devo me aproximar da Santa Comunhão sem antes me confessar? Fazê-lo constituiria um pecado maior, o do sacrilégio.

Sobre as Obras de Misericórdia
– Negligenciei as Obras de Misericórdia espirituais e corporais, quando poderia tê-las realizado?

Sugestão prática: se ajudar, escreva seus pecados em um papel antes de se confessar, para não esquecer nenhum. É aconselhável destruí-lo após a confissão.